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Posts Tagged ‘Convidados’

Uma Viagem em minha vida

Por Vivi

Às duas da manhã da minha última segunda de férias e em São Paulo, resolvi colocar uma musiquinha daquelas que são a cara de filme pra escrever (…) Caso vocês queiram compartilhar da liga genuinamente, ai vai música:

Depois desse “loop” emocional em que me encontrei esse fim de 2007, percebi muitas coisas. Algumas até poéticas, outras bem grotescas. Mas no final, todas verdades, pelo menos para a minha vida como está hoje.

A primeira é que a dor vai estar sempre ao nosso lado, a diferença de se sentir maduro mesmo vem no momento em que aprendemos a lidar com ela. Confesso a vocês que até hoje (…) é como se eu tivesse vivendo uma espécie de transe, meio entorpecida, anestesiada e isso me fez tornar tudo mais fácil.

Até quando escuto coisas que me afetam (…) procuro abstrair, respirar, chorar enquanto ninguém vê e levantar de novo. Esse foi meu segundo passo. E tenho me esforçado para virar gente mesmo. Terceiro passo: largar meu maior vício, a mania eterna de depender dos outros, pra sair, pra viver, pra amar. Agora não! Resolvi que até mesmo quando me assusto, eu tenho que meter a cara.

Durante esse mês eu saí de táxi só, numa cidade imensa como São Paulo, a procura de distração. Fui a praia sozinha também, peguei metrôs ao som de Radiohead, Moska, Amy Winehouse ou qualquer outro som suicida desses que eu, masoquistamente, adoro!

Mas o que importa disso tudo é que eu estou me dando oportunidade de crescer de fato. Têm horas que enfraqueço um pouquinho e me dá vontade de saber, estar por perto ou até mesmo inventar o que falar. Consigo segurar essa vontade dois segundos e isso já é tempo suficiente pra eu perceber que não vale a pena.

Esse foi o penar mais forte e mais gostoso que eu já passei. Não sei se ainda vem mais dor por aí. Até agora eu reagi muito bem. Acho que o que eu sempre disse que ia acontecer, aconteceu.

Depositei todas as minhas fichas e na hora que eu tive coragem de me desligar de tanto sofrimento mesmo abrindo mão de um amor e suas conveniências, eu chorei, me levantei e recomecei. E olha que essas conveniências quase fodem com tudo.

Meus maiores surtos de sofrer, de achar que não ia agüentar, foram na falta dessas conveniências. Alguém que cuide, proteja e o que é melhor, (ou pior dependendo do ângulo) é que essa viagem que fiz foi só com casais.

Então na hora do aperto ou das manifestações afetivas, sempre quem sobrava era eu, seja pra sentar numa cadeira de duas pessoas, levar uma sacola grande, se proteger do frio etc. Tudo, tudo isso. Me doía na espinha a falta de alguém e era nessas horas que eu me escondia para fumar um cigarro, bater fotos, tomar banho de mar, qualquer desculpa era suficiente para me largar no choro. Quando voltava, já estava mais forte e cada vez menos impaciente com essa situação.
Para piorar, todos os doidos que eu agarrava, eram idiotas. Acho até que inconscientemente era por isso que eu procurava, por homens que não me representassem nada, daqueles que francamente, eu não acordava com a mínima vontade de saber de nada: telefone, orkut, msn. Nada! Peguei o telefone de todos, mas não dei o meu a nenhum.

Numa dessas ressacas morais, intelectuais e principalmente físicas, me deu liga torta, comprei uma passagem para dali a dois dias, mesmo com uma outra já comprada, somente por estar sentindo a solidão forte demais, presente demais. Foi um surto de correr pra baixo das asas dos pais.

Exatamente nesse dia, como que num passe de mágica, a princesa cansada de ver sapo, acaba encontrando um príncipe. Sim, conheci um príncipe! Ele é muito fofo, engraçado, inteligente, bonito, estiloso, cheiroso. Mas quem disse que eu ainda tenho coração?

Realmente, agora eu não consigo querer laços com ninguém. O que mais me encanta nesse moço é o poder que ele teve de resgatar minha vontade de um segundo dia ou terceiro. Ele colocou um pouco de açúcar e afeto em meus dias por aqui e só depois dele e não necessariamente por ele, vivi a melhor parte da viagem.

Conheci vários amigos que me divertiram. Desde um hétero maníaco por sexo, até as mais variadas bichas. Todos gente muito boa e maluca. Eles arrancaram minhas melhores gargalhadas e minhas piores pérolas. Mas, mesmo com toda essa empolgação, quis me livrar um pouco do gatinho e sua turma.

Acho que a opção de ser livre hoje é a única que eu não consigo me desfazer. Percebi que a solidão é nossa única companheira pra vida inteira. Então que ela seja a mais legal das solidões, a solidão opcional mesmo.

Acabei até magoando esse mocinho, mas não pega nada. Ele me entende. Agora, o lado mais sacana dessa história: eu estou virando um monstro, daqueles que abraça o acompanhante para olhar pra outro.

Vocês sabem tanto quanto eu que essas são as mulheres que mais se dão bem. Cansei do posto de coitada e é só isso que quero: ficar bem, sem machucar ninguém, mas principalmente sem me machucar.

No mais, corro pra Belém ansiosa em resolver minha vida para em breve estar partindo. Égua cara, o mundo é muito grande e como diz a Mayra: “o mundo precisa nos conhecer”.

Essa viagem foi só pra dar o gostinho, de conhecer gente nova, ver novos lugares e ter novas idéias. O mundo cheinho de gente e conhecimento, a necessidade incrível de passar por aqui e deixar alguma coisa, seja como pessoa e como profissional. Saber que você vai ser falada em uma mesa de bar ou a de um escritório, fazer valer a nossa humilde existência.

Essas são as minhas metas agora e acreditem, vão rolar e vocês não se espantem de um dia ver a vida de vocês em uma tela de cinema, eu juro!

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Para os amigos saudosos,

(Carta de uma grande amiga das ohvarianas)

Até que enfim consegui. Depois de todos esses dias, querendo desesperadamente conversar de verdade com alguém, escreverei para vocês meus amigos, que estão ao mesmo tempo tão longe e tão próximos.

Na verdade, entrei num casulo. Nada muito profundo consegue chegar. Tô numa de apreciar as superficialidades. O que tem refletido em tudo: faculdade, família, trabalho, amizades e amores. Não sei bem se por ter sede de querer fazê-las todas ao mesmo tempo, ou se de ter me empanturrado de todas.

Viver tudo tão depressa de certo modo me anestesiou. E esse meu constante torpor já se tornou tão claro que tenho me prejudicado com as conseqüências. Sabem que tem gente que até anda preocupada com meu comportamento? O que acontece é que mesmo assim, não me considero menor ou menos humana por tudo isso. Aliás, me considero até mais normal agora. Só que me deixa incomodada com essa novidade é que ando mais confusa, instável e muito, muito mais impaciente.

É foda. Fico olhando umas tolices ao meu redor, um menino falando merda, uma amiga chorando, chorando e não fazendo nada pra finalizar essas dores; uma galera que por mais engraçado que pareça, está à procura de uma coisa, mas sempre reagindo indiferente e conquistado tudo oposto ao que diz querer.

Todos os dias que eu saio com pessoas de neurônios ativos. Percebo que a busca por menos superficialidade existe, mas é tão difícil que ficamos assim, estagnados e num ciclo que é tão vicioso quanto escroto.

No começo até que é legal, engraçadão- “iuurrrulll todo mundo solteiro..” – mas depois, quando realmente precisamos conversar, trocar idéias, conhecimento, cadê? Não é de se espantar essa minha amargura, não. Bichinho danado em extinção, esses seres humanos. Lembram deles? Sensibilidade, calor humano, afeto, cumplicidade.

E reclamo! Não de barriga cheia e sim pela falta de ter como enchê-la. Mas digamos que eu esteja “meio satisfeita” por ainda ter pessoas que conseguem evoluir um bate papo, via msn, mesa de bar ou casa de amigos (…). Os demais, se não estão ausentes geograficamente, estão fisicamente, ou eu estou, sei lá.

A verdade é: cansei, cansei de ser boa, cansei de ser legal e cansei de ser sexy (trocadilho infame vale, né?!). Queria emoção de verdade, grupos de amigos, como vocês, que se metiam na casa do TT, com uma garrafa de vodka e muito pra conversar, de ver o pôr-do-sol e levar a Paulinha pra tomar seu santo sorvete da Cairú, de olhar ao meu redor e agradecer a Deus por tudo que me foi dado. Belém tá um saco sem vocês, e eu, tô mais ainda…

Contratam-se urgentemente, pessoas interessantes, ou então, desse casulo não tem borboleta que sai.

Amo vocês.

Vivi

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por Raoní Beltrão (Nosso querido amigo convidado e conhecido pelo famoso “Açoite sem fimmmm” )

Homens e homem, a diferença está no número. Principalmente quando novos, homens comportam-se de maneira bem peculiar em grupo, uma espécie de treino. Sim, pois um jovem sozinho é inseguro, porém em grupo é destemido. Tudo bem, alguns parecem que jamais envelhecem mentalmente e continuam a comporta-se de tal maneira, mas o fato é que durante os treinos de machismo, homofobia, arrogância e truculência são definidos padrões de comportamento específicos, a maioria referentes a relações com outros homens, principalmente os que se julgue “não tão homens assim”. Sobra um pouco também para o tratamento referente às mulheres, com exceção de algumas familiares, o treinamento padrão nesse caso advém da metodologia de casos imaginários de conquistas e desempenhos sem fim.

Em tais rodinhas, não há homem virgem, o mais inexperiente no mínimo já transou com inúmeras mulheres, simultaneamente inclusive. Pois, a inexperiência revelaria a falta de “macheza”. Nesse sentido, há o treino sobre casos imaginários referentes as performances sexuais, relegando as mulheres a meros aspectos anatômicos, resumidos basicamente em bunda e peitos, além da submissão é claro. Quanto a seleção, basta ser “comível”. E a chance de falha na hora “H” é praticamente irremediável para a moral machista. Pois, se a mulher for “comível”, não há argumento que justifique tal “fraqueza”.

Após a graduação em machismo, alguns homens passam a viver por si só e por em prática finalmente suas teses de dominação masculina. E aí, que alguns menos obstinados em buscar uma pós-graduação em machismo começam a experimentar contradições do conhecimento acumulado por toda a adolescência. Por exemplo, quanto ao apetite sexual, descobrimos que os atributos anatômicos não são suficientes para nos apetecer, inclusive sexualmente, praticamente uma blasfêmia! O descalabro é tamanho que chegamos até a nos envolver emocionalmente (um absurdo!) com mulheres que, digamos assim, não se encaixam aos padrões anatômicos pré-estabelecidos… Daí, vem a crise existencial, estaríamos perdendo a virilidade, o instinto predatório sexual?!

Algo tem que ser feito, para tanto voltamos à caça até abatermos uma presa digna de nota ao “grupinho” (leia-se a todos que consigamos contar). É então que vem a prova dos nove, imediatamente para cama, iniciamos o “teste de virilidade”. Porém, não mais que de repente, aquele afã todo se esvai nas lembranças das asneiras proferidas, naquele bate-papo digital que revelou aquela “falcidade” (com “c”!!!), naquele convite ao show do Bruno & Marrone, naquela sonoplastia fantasiosa, enfim… e na passagem “da primeira pra segunda” surgem certas dificuldades, onde estão as preliminares?, o afeto?, a cumplicidade? Começamos a sentir falta daquele jeitinho especial de amar, que só aquela pessoa especial conhece. E agora o que fazer? Para onde correr? É então que consolida-se o crime sem suspeito, temos um morto-vivo estirado entre as pernas! Logo ele, que acabara de desempenhar seu papel, começa a fa… fafa… falharrr! Oh, não! Seria o nosso fim?! A culpa só pode ser dessa maldita camisinha que nos prende! Alguém tem que pagar…

Talvez aí então, alguns de nós compreendamos que relações afetivas vão além do aspecto físico, e até esse aspecto começa a ser influenciado pela afinidade, pelo am.. am… amor (argh!) e o crime está consumado, o morto-vivo é encontrado, morre mais um machista-vivo e nasce um ser humano sensível a natureza e à humanidade. Encarar o sexo oposto como igual, pensar como um só, amar como todos e todas, libertar-se enfim da ânsia opressiva e alcançar a verdadeira felicidade, que é aquela que se compartilha. Ali então jaz um morto-vivo.

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*refrão de música escrita por Jorge Du Peixe.
Por Lucas Paolelli (nosso querido convidado e grande amigo das ohvarias)

5:54 da manhã de quarta-feira. Pouco mais de duas horas atrás, eu tinha acordado todo descangotado no sofá e não consegui dormir mais. Tentei de tudo. Vi o final de um filme na Sessão de Gala. Depois tentei deitar, mas nada de o sono voltar. Rolava de um lado para o outro da cama, sem relaxar. Eu estava agoniado, tenso, cabreiro, aceso. Aliás, é como eu tenho me sentido nos últimos tempos. Amanheci em frente ao computador, ajustando o AC Nicotime (meu time virtual) e ouvindo Tomorrow Never Knows, clássica canção de um certo quarteto de Liverpool (cujo título, por ironia do destino, veio muito bem a calhar).

Meu momento atual é difícil. Para um cara que sempre procurou levar a vida baseando-se em certezas, estou todo baratinado ao ter que me acostumar com as interrogações que a vida tem esfregado nos meus olhos. Em qualquer assunto que eu me recordo, pensamentos e conceitos do passado entraram ou estão entrando em choque com o que penso do que será do futuro, seja em comportamento, na carreira profissional que escolhi e pretendo construir, e até mesmo nas relações de amor ou de amizade.

Antes que surja um comentário ou trocadilho imbecil se reportando ao final do parágrafo anterior, ou mesmo atribuindo, a mim, um estado de crise existencial, faço questão de dizer que, apesar do meu ponto de vista (digamos) quadrado, acho que crise existencial é coisa de baitola, e portanto, nada tem a ver com a essência áspera feito lixa deste ícone da virilidade que vos escreve (ou ao menos tenta).

De uma personalidade radical, tudo aquilo que nela eu agreguei, ao longo dos meus 25 verões, foi fincado, em grande parte, no que eu sempre acreditei ser certo e no que eu achava melhor pra mim. Entretanto, mais do que as rugas e os fios de cabelos brancos que aparecem (e crescem de uma forma totalmente diferente do resto do cabelo), o passar dos anos tem me proporcionado, até mais importantes do que os momentos de felicidade, as frustrações. As porradas que a vida me deu fez com que grande parte das minhas certezas, de repente e sem dó nem piedade, ruíssem.

Eu era um cara aiatolá, extremo. Somente prestava ser como eu era. Somente era legal o que ou quem tinha a ver com isso. Eu repudiava os tipos cagão/playboy ou rastafaráaai-malandrinha, as babaquices desses tipos estrupícios me deixavam irado. Jamais ia à boate mais badalada do momento, dessas que viram notícia dominical de jornal impresso. Sentia ânsia de vômito diante do pop gritante, e golfava diante do alternativo rasgado. Escutava somente rock, e tudo o que não fosse rock simplesmente era “zuada”. Alguns desses exemplos demonstram os meus gostos estranhos e minha postura rígida. Eu era o normal (e era normal quem compactuasse com isso). Os estranhos eram os que faziam parte da maioria, por serem complacentes com tava imbecilidade. Ainda bem que esses tempos de percepção limitada já ficaram lá atrás …

De uns tempos pra cá, foi natural e bombástico compreender essa visão curta fez com que eu me privasse de viver muitas coisas bacanas, de me relacionar com um monte de pessoas, de me fechar perante a diversidade e abrangência que o mundo tem para me oferecer. O meu ode ao incomum, ao esdrúxulo e às minorias tenderia a restringir os meus caminhos (para não usar uma expressão mais incisiva usando o verbo alijar). O prejudicado fui eu, pela inflexibilidade, pois no final das contas, EU seria o estranho, e A MAIORIA seria normal. Custava ser um pouco mais normal, e viver um pouco mais em acordo com a “normalidade da maioria”? Ao menos eu teria vivenciado experiências mais diversas, e me privado menos da mesmice.

Mas esse semancol que brevemente tentei relatar, até que não foi dos mais traumáticos.

O curso de nível superior que eu escolhi estudar e exercer profissionalmente exige retidão e formalidade. Tais atributos colidiram de frente com o jeito que, lá atrás, eu tinha. Eu, como todo bom rebelde que se preze, por teimosia e imaturidade, planejei remar contra a maré. Ledo engano.

Foi aí que a própria carreira me deu várias “mijadas”, pra apontar o dedo na minha cara e dar o seu recado: ser reacionário contra a imagem do profissional do Direito, aquela de moldes rígidos e quase intocados, traçados desde os primórdios desse segmento profissional, poderia resultar numa dificuldade a mais para mim, na carreira que eu pretendi seguir dentre as tantas que a formação jurídica oferece. Passei a reconhecer que não dá usar com o cabelo desgrenhado, roupa mulambenta, barba por fazer, ou tênis “excêntricos” toda a vez que der na telha, ou mesmo abusar de palavrões ou gírias durante uma conversa. Por mais que eu não concorde, infelizmente é assim que as coisas funcionam.

Pode parecer, pros outros, mediocridade, conformismo, ou até mesmo falsa humildade, sei lá. Frise-se, eu nunca fiz questão de ser o melhor, ou objeto da reverência alheia. Sempre quis ser bom e útil para quem eu esteja representando, independentemente de ser o ladrão de galinhas ou a União.

Entretanto, nessa carreira, infelizmente, prevalece muito mais aquilo que os colegas enxergam na(ou da) gente, a despeito daquilo que somos de verdade: ou eu danço conforme a música para ser reconhecido como bom, ou então, sou alijado do sistema e tachado de bizarro (mesmo que eu seja um dos mais brilhantes). Não posso ser escroto o bastante para ser do jeito que quero, mas se eu entrar na coreografia, corro o risco de ser apenas mais um dentre os milhares. Em determinados momentos, por questão de política profissional, serei obrigado a fazer uso da famosa “capa”, apesar de ser convicto de que tal artifício é algo repugnante. Eis um dos dilemas cuja dosagem ideal eu ainda vou perder muitos cabelos até encontrar. Afirmo com toda a certeza que, no campo profissional, as minhas constatações foram das mais chocantes e brochantes que eu tive nessas épocas.

Finalmente, o amor. Ah, o amor… o “quesito” que é, sempre foi, e sempre vai ser o mais embaraçoso de se entender, principalmente pra mim. O sentimento mais carregado de emoção, que sempre aparece para desmontar a fortaleza de certeza e razão que eu tento erguer como meu escudo. Prescindível é, a essa altura, ficar detalhando meu histórico amoroso com as mulheres (que não foram tantas) que fizeram parte da minha vida, muito menos esmiuçando cada relacionamento. A cagada é quando a gente lida com pessoas diferentes, e se apercebe de como as pessoas são complicadas, os relacionamentos são enrolados, tudo por causa da emoção e do sentimento. Essa dupla é pós-graduada em desmoronamento de razão.

Sempre na fossa, geralmente após ter tomado uns gorós e ter falado merda até não querer mais, o encostar da cabeça no travesseiro traz a tristeza. Como já foi dito lá atrás, das frustrações e dos reveses é que brotam os aprendizados. A pessoa que parece muito com a gente quase sempre não é a certa. E aquela de características opostas? Os opostos se atraem? Pura conversa fiada ! Aí é que não dá mesmo ! E por quê então é que tentamos? Simples: porque somos imbecis, e achamos que pode dar certo pensando com o coração. Olha aí a emoção novamente causando destruição.

Deu pra perceber que o amor, por mais forte e puro que seja declarado, é um sentimento podado por vários outros fatores, como amor próprio, egoísmo, diferenças. Portanto, nem sempre o fato de duas pessoas que se gostam demais vão resultar na melhor e mais inesquecível das relações. Ou por outro lado, até mesmo aquele relacionamento que começa despretensioso, sem aquele amor latente e derretido, mas que começa pautado no respeito às diferenças, a individualidade e ao amor próprio de cada um, esse sim, tem muito mais chances de se prolongar em harmonia. Mas, nessa hipótese, falamos mesmo do amor ? Ou seria uma espécie de relacionamento-de-conveniência-com_espasmos-de-carinho? Puta que o pariu, melhor nem pensar ! Enfim, algumas dessas “premissas” ainda não verdades absolutas pra mim, até porquê eu não consigo explicar como é possível que, e certos casos, é melhor que duas pessoas que, embora se amem muito, não fiquem juntas. Ou então, que a garota bonita, bem-humorada, inteligente, de bons gostos e bem resolvida profissionalmente possa chegar a amar um merda de um cara que não quer porra nenhuma com a vida, que não acrescenta nada pra ninguém, tem bafo e ainda é odiado por todos que gostam daquela. Ah, o amor … cheio dessas ciladas !

São tantas perguntas sem resposta, tantas hipóteses, tantos caminhos a serem seguidos, cada um podendo ocasionar as mais diversas consequências. Os exemplos dados aqui podem parecer besteira – embora a música fale que besteira é coisa séria, é preciso com ela filosofar –, mas servem para dar um esboço de tudo que vivemos (nos) interrogando, ou de tantas certezas que fingimos que temos.

Mesmo assim, sinto que cresci. Hoje, ainda não o suficiente para ter a maioria das respostas que quero. Mas cresci ao menos a ponto de perceber o quanto o que eu perdi, o quanto de merda eu pensei, o quanto de coisas que eu vou ter que refazer e ainda o tanto de coisas que ainda tenho pra aprender, mesmo que seja na marra. Cresci, pelo menos, ao ponto de questionar minhas certezas de outrora, e de colocá-las em xeque.

Na vida, poderemos ser nós mesmos sempre, mas sempre lembrando que há os outros que nos rodeiam. Compreendi que não temos direito de impor nada a ninguém, nem sucumbir às imposições de outrem, bastando encará-las como opiniões, por mais diferentes que elas sejam. Comecei a entender aquilo o que a minha mãe sempre quis me dizer com o indefectível “temos que respeitar as diferenças”, e comecei a levantar essa bandeira não mais da boca pra fora. Não podemos virar de costas para o mundo com um ar de “foda-se”, pois dependemos de tudo e de todos, por mais ínfima que essa relação de dependência possa ser. Que muito daquilo que somos não se liga exclusivamente ao que queremos ser, mas também, de como moldamos nossa imagem, partindo de como pretendemos que os outros nos vejam.

Como diz o bordão, viver é um constante aprendizado. O que eu fui ontem, o que sou hoje e o que eu serei amanhã? Esse a partir desse conflito que brotam todos os outros questionamentos que surgem pra mim. Justamente por não saber as respostas, todas essas incertezas é que me causam tanta tensão, e às vezes, não me deixam dormir. O que serei amanhã vai depender das respostas que eu ache, de como vou equacionar o que eu QUERO ser e o que eu DEVO ser.

Ao menos, as primeiras conclusões eu já tenho. Sentar num bar e enfiar trocentos copos de cerveja goela abaixo para “esquecer de tudo”, além de não aliviar a agonia, ainda corrói o fígado. Em vez de encher a lataria, é até melhor chorar. Deixar escorrer umas lágrimas, não só por tristeza ou raiva, não é vergonha pra ninguém (sim, os viris também choram!). Chorar de felicidade, chorar por comoção, ou por qualquer motivo que seja faz (e muito) bem! Às vezes, uma lágrima e uma expressão facial traduz uma carga emotiva muito mais sincera do que mil palavras. O choro decorrente de um filme de drama pode fazer tão bem, ser tão descongestionante quando aquele que acontece pela simples constatação de que não estou preparado suficientemente para o turbilhão que anda pesando sobre as minhas costas. É… as lágrimas da incerteza e da fragilidade também fazem bem que só, aliviam, e isso eu só tive o prazer de constatar de pouco tempo pra cá

Mas isso ainda é pouco. Torço para conseguir achar as respostas rápido. Sob pena de ter outra iniciativa tosca de gerar um documento de Word relatando as minhas viagens pessoais para encher o saco alheio. Ou sob pena de ficar com olheiras estilo Ray Ban por continuar acordando às três e pouco da manhã, e no final, ainda enjoar de Tomorrow never knows …

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Pescar

Por Mayra Castro

Pescar é um esporte que exige paciência, coisa que eu nunca tive muito.Ficar horas esperando algum peixe fisgar uma isca, não me parece nada atrativo.Acho que em toda minha vida só pesquei um mísero peixinho.Mas pode ser história de pescador,não tenho foto como registro.

Mas uma vez eu realmente saí pra pescar e me perdi nas “ruas” do rio negro.Até que um ribeirinho,montado na sua embarcação cheia de mercadoria, me conduziu até a “esquina” do hotel onde eu estava.Eu não levei nenhum peixinho pro hotel,mas também não cheguei de mão vazia, ganhei um milho do ribeirinho.

Dessa última vez foi melhor,e lá fui eu pescar com um amigo. Eu não tinha nada,nem anzol e nem linha.Pelo menos não precisava de isca.E achar a linha foi mais fácil,mas o anzol foi fabricado com resto de metal achado na rua.E lá fomos nós pro rio.
Meu alvo estava lá paradinho,como se a me esperar.Na primeira tentativa minha linha arrebentou e lá fiquei sem anzol.E como deu trabalho pra achar outro na rua!Novo anzol, nova tentativa.E dessa vez foi a linha que desamarrou…e o que eu queria nem se mexia!Mais uma tentativa e quando eu pensei que ia dar certo,falhou de novo. Eu já estava impaciente de tanto ter que arrumar anzol na rua.Mas finalmente ela se mexeu um pouco a meu favor “agora vem, tenho certeza!”.Veio só pra mais perto.Eu já não aguentava mais inventar anzol pra essa minha pescaria, já tava pra jogar alguém no rio!Mas depois de umas 5 tentativas,metros de linha quebrada e vários anzóis improvisados,minha esperança aumentou “agora tu não me escapas”.

Ufa,quase escapa!Até que com muito esforço e ajuda incondicional do meu amigo,conseguimos puxá-la pra fora.Limpamos, enxugamos,batemos foto pra não dizerem que era história de pescador e comemoramos,claro.

Depois de uma manhã inteira de trabalho árduo de pescaria, sem nenhum peixinho,mas com quilômetros de estrada pra ganhar,voltei pra casa alegre e satisfeita com o fruto da minha pescaria: uma bicicleta azul novinha.E mais essa história pra contar…

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CARÊNCIA DE DEPOIMENTO

Por Jaime Brasil ( advogado, músico, escritor e aquele tio legal da família que todo mundo gosta)

Meu pobre orkut:
só fake de fuck
nenhum scrap, ninguém me add,
e duas visitas em toda a semana:
da mana e da Ana.

Até já sou outro no “quem sou eu”:
estilo alternativo, menti que não bebo,
leio Paulo Coelho e que não sou feio,
gosto do Potter, que até assisto o Jô.

Namoro mulheres, estilo alternativo,
Ainda assim, ninguém se interessa se escuto Jobim,
que será de mim, que amo viagens mas nunca parti,
com este perfil,que nada aprendeu,
com relacionamentos anteriores….
com todos aqueles amores….
com todas aquelas dores….

Não penso em suicídio talvez genocídio,
se ninguém acessa, um cara acessível,
casual, contemporâneo, aberto pra relacionamento….
e sem nenhum depoimento.

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johntirinha26.jpg

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