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Posts Tagged ‘Lunna’

Cafageria

Por Lunna

Eu já sabia. Quer dizer, tinha dúvidas até entrar naquela festa e te cumprimentar. Mas quando isso aconteceu, eu já sabia. Teus olhos me contaram absolutamente tudo o que eu queria saber. E me arrancaram o vestido pra longe do palco. E me comeram ali mesmo, porque mesmo que eu ache que nunca é comigo, dessa vez eu tinha certeza. Os goles de uísque, misturados com cerveja, só fizeram confirmar. E então paramos de nos esbarrar de propósito e ficar um do lado do outro sem falar nada. Foi fácil quebrar o gelo. Foi fácil porque tudo o que transborda em ambas as partes é a coisa mais simples do mundo.

Foram meia dúzia de besteiras no diálogo mais idiota e sem sentido que eu já tive. Mas eu gostei, e teus olhos subiram meu vestido e puxaram meu cabelo. Me tiraste pra dançar e não desgrudamos mais até o fim da noite, o início do dia, não sei bem. E discutimos a nossa relação, a nossa curta relação, como se fizéssemos piada. E éramos completamente errados, mas não conseguíamos disfarçar o deslumbre do nosso encontro. E eu me impressionava com a grandeza dos teus olhos, todas as vezes que eles tentavam passar a mão por debaixo da saia preta de cetim.

Nada de romantismo. E eu gostei disso. Foste o cara mais direto de todos, o mais cafajeste e o que menos me subestimou. Nada de princesinha, lindinha, bonequinha. Um verdadeiro cara de pau. E eu gostei de tudo isso, mesmo escondendo de ti com os meus piores palavrões (que, diga-se de passagem, eu também adorei). Me olhavas como quem olha com a cabeça debaixo, e não conseguias te desviar. E eu me senti a Sharon Stone em Instinto Selvagem, só que com calcinha. E tu não podias me tocar porque era errado. E mesmo assim me comeste a noite inteira com teus olhos de caminhoneiro tarado.

Entrei no carro me sentindo a última cerveja da grade. Da festa, da cidade, do mundo. Como me fazes bem me olhando desse jeito. Eu adorei. Adorei porque contigo eu sou safada. Porque eu me sinto a rainha do despudor e mais sexy que a boca da Angelina Jolie. Porque me achas tão doida, errada e imprudente que eu me sinto exatamente assim. E como é bom deixar de ser aquela menininha tão sensível e cheia de sonhos parecidos com os de todo o mundo. E mais maravilhoso ainda é chegar em casa rindo, com o ego nas estrelas e sem idealizações nem mesmo de uma ligação ou de um casamento. Nada, nada. Como é bom, meu Deus. Não sabes o quanto eu rezo para encontrar o amor da minha vida, o quanto eu me dedico a qualquer idiota que eu acredite ser o tal do amor, e o quanto já me fizeram mal por causa disso. Não sabes porque pra ti eu sou foda, muito foda, como me sussurraste baixinho. E contigo eu me sinto mesmo muito fodassa, fodona, fodérrima. Não sabes nem mesmo que eu odeio azeitona, que tem dias que eu trabalho mais de dez horas e que eu sinto muito frio domingo à noite, mesmo quando faz muito calor. E que eu fico mais bêbada com champagne do que com cerveja. E que eu me acho muito burra quando eu não consigo gravar as fotos do computador pro CD ou quando eu não consigo diferenciar o Corsa do Corola. E eu adoro. Nem preciso esconder isso de ti, porque teus olhos só conseguem me ver como uma loira gostosa, mesmo com a minha bunda mole e os meus flancos de Papai Noel. Também nem cogitas a possibilidade de eu ter te falado a verdade quando disse que nos últimos três meses eu só fiquei com dois caras. Tá bom, tá bom, foram três. Mas o último nem conta, porque foi só um beijo rápido. E tu achas que a minha listagem já chega ao trigésimo oitavo. E eu adoro. E teus olhos me comem como nenhum outro, e eu me casaria contigo se me prometesses esses olhares todos os dias da minha vida. Mas com a gente não existe nenhum pingo de filminho na manteiga. Contigo eu sou safada. E tu és o melhor cafajeste do mundo. E eu gostei.

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Eu te odeio

Por Luna

Eu te odeio. Te odeio por me deixar com o coração na mão neste domingo calorento que faz frio, muito frio. Te odeio mais ainda por ter me ligado na sexta quando finalmente eu já me via perto de possuir o tão aclamado coração livre. Te odeio porque pensando em ti, à distância, esqueço de pensar em mim, na minha mãe e em todas as criancinhas famintas da Etiópia. Te odeio por ter vergonha de admitir até pra mim que eu caí no conto do vigário e me apaixonei de besta, pateta. Te odeio por não me deixar dormir pra trabalhar cedo amanhã e por me fazer comer massa de madrugada. E por ouvir todas as músicas do mundo e não deixar de criar situações contigo em nenhuma delas. E pelos beijos, as risadas e as loucuras de dentro do carro. E porque eu procuro sim um amor pra vida toda, mas não precisava me apaixonar tão perdidamente depois de ter terminado um doloroso namoro. Por me cozinhar feito maniva e me subestimar. E porque eu já me apaixonei assim um milhão de vezes, e quebrei a cara um milhão e meio.

Quando eu finalmente decido me livrar de ti e das tuas nhenhenhices legais que eu tanto gosto de ouvir e que eu tanto critico por achar falsérrimas e cafonas, tu reapareces como se nada tivesse acontecido. Como se tudo fosse fácil. E deveria ser, se eu não inventasse de romantizar até mesmo a minha ida ao dentista. E então, seria um flerte legal, com duas pessoas legais. Tudo muito divertido e light, nada que combine com esse nhoque com queijo extra que se encontra neste exato momento entre a minha faringe e o estômago.

Não! Pere lá! Eu já prometi pra mim, pra todas as minhas amigas que não acreditaram em mim e pra todos os meus cabeleireiros que eu jamais iria voltar a ter algo contigo. Algo além da amizade, porque não tenho motivos suficientes pra te odiar, e isso é o que mais me faz ter ódio. Tá pensando o quê, garoto?! Entra na minha vida, diz que vai ligar e liga, depois diz que vai ligar e não liga, depois diz que sente saudade, depois desaparece, depois me liga dizendo que eu sou foda, fodassa, fodona, e quando eu finalmente me acho fodérrima, fica com outra na frente dos meus amigos e fica com uma terceira enquanto eu comprava um presente pra ti. E então eu te ignorei de propósito, porque te acho o Bozo depois da diarréia que deve achar que tem a maior pica do Estado do Pará. Eu já vi maiores, meu bem. E, pensando bem, a palhaça nessa história sou eu. Sou eu quem fica com um embrulho escroto no estômago de ódio ao ver as fotos daquela festinha. Sou eu quem acorda todos os dias tentando não esquecer desse embrulho escroto quando a minha cabeça começa a viajar à tua procura.

E eu te peço pra que desistas. E tu insistes em aparecer mesmo depois de eu te ignorar e te tratar como a melhor amiga do mundo quando a minha vontade era de mandar tu enfiares todas as safras de cenouras do mundo no cú. E és tão legal que me fazes ter ódio dos astros por eles não terem conspirado uma paixão igual à minha na tua cabeça. Te odeio por ser alto, bonito e ter bom humor. E por ser exemplo de raça humana masculina para todas as minhas amigas. E por eu não saber o que pensar direito, porque toda a grande paixão deixa a gente assim, com cara de besta quadrada. E o que eu tenho mais ódio, de todos os ódios que me fervem o sangue, é das tuas mentiras. Que história é essa de dizer que sente saudade quando não sente saudade?! De dizer que vai ligar pra gente fazer alguma coisa no outro dia quando não vai dar sinal de vida?! De dizer que eu sou linda, a mais linda do mundo inteiro, quando na verdade existem outras mais lindas do que eu pra ti?! Chega, chega.

A diferença entre o amor e a paixão é visível. Passei pelas duas situações recentemente (olha que legal!). O amor perdido te faz perder o chão, a fome, a vontade de sair de casa. Lágrimas, muitas lágrimas. A paixão, por sua vez, te faz virar uma porca prenha de tanto comer aquele chocolate escondido na geladeira. É tanta agonia que a melhor coisa a fazer é visitar um boteco novo e encher a cara numa terça-feira. Ansiedade, minha gente! Muita ansiedade. A paixão te deixa o chão, mas te faz perder a cabeça.

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