Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Lora Cirino’ Category

Por Lora Cirino

O que mais me dá raiva não é nada não, é esse cantinho da tua boca que teima em subir com esse charme terrível toda vez que tu falas. Me deu uma raiva tão grande na primeira vez que eu percebi que eu não estava conseguindo escutar nada ao meu redor, porque os teus olhos meio caídos, desviando o olhar a toda hora me davam tanta fraqueza nas pernas, que abalavam minha audição. Me deu tanto ódio perceber que eu tava totalmente perdida, que eu não queria querer mas que muito menos conseguia evitar que todo mundo percebesse. E aí as coisas começaram a sair da minha boca, eu tentava parar, não conseguia. Como se não fosse suficiente, veio um sorriso terrível entre um gole e outro, esfriou minha espinha, eu sabia que meus cílios tremiam de tanta vergonha e pior, de tanta vontade de entrar em ti e, como diria uma amiga minha, te comer com colherzinha.
Eu desviava o olhar pra toda aquela multidão, pra toda aquela festa e música, alguma coisa tinha que me chamar mais atenção que tu, até que, de novo: o olhar, o canto da boca, o jeito de falar, os olhos caídos e não tive outra escolha a não ser entrar em ti e me enroscar com toda a força possível, morrendo de raiva daquela situação. Aquela vontade de não sair nunca mais dali e principalmente aquela maldita fraqueza nas pernas.
Só estando ali, dentro de mim pra entender o que estava havendo, entende? Lógico que entende! Não tinha como! Não dá pra evitar o inevitável, porque é feitiço sabe? É isso, seu bruxo maldito! Bruxaria, coisa ruim, hipnose.
É por isso que me sinto quase a Luana Piovanni e te digo: mantenha distância.

 

Anúncios

Read Full Post »

Sapatos

Por Lora Cirino

Dia desses, por acaso vi uma foto tua. Não, eu não a tenho, não deu tempo de construirmos nada, mas tu me desconstruíste rápido. Quero colocar a culpa no pouco, quase nada que passamos, mas não dá, pelo simples fato que em muito tempo, tu foste o único que despertou um sentimento tão puro e fofinho em mim, parecia amor. Não! Não posso ser idiota e chamar de amor, eu acho que sei o que é sentir amor, eu já senti! E uma noite de poucas horas não pode definir tal sentimento.

É, vai ver que eu inventei que tu és o que eu quero ter, quero muito. Tento parecer que quero, mas ninguém enxerga isso, ninguém me leva a serio e a culpa é minha, que tentei construir a imagem da independência, toda ela e consegui, que ironia! 

O que eu entendo muito bem é que há muito eu não sentia um beijo tão puro e uma vontade tão grande de cuidar. O sorriso solto nos lábios, o mundo esquecido ao nosso redor. Eu, que criei uma vergonha idiota de demonstrar sentimentos, naquele dia escutei: “e aí, vocês vão casar hoje mesmo ou o quê?”. Por mim sim, casaríamos. Finalmente eu havia encontrado alguém, que eu nunca tinha visto, mas que não precisava disso.

Eu sentia vergonha alheia pelos teus sapatos, os mais ridículos que já vi na vida. Sentia um pouco de vergonha pela tua idade, mas não haveria problema, porque nós tínhamos nos encontrado no mundo e de repente éramos a certeza um do outro e não conseguíamos nos separar por nada.

Era estranho ver alguém no meio dos meus conhecidos que eu nunca tinha visto, foi quando eu descobri que nossas fronteiras eram distantes e que a partida era próxima, uma hora aproximadamente. Uma hora. Eu não merecia te conhecer e te desconhecer em uma hora. Em uma hora me deu infinita tristeza e infinita alegria por ter te conhecido. Tu foste o meu entorpecente daquela noite.

Houve promessas e conversas posteriores que se foram como sempre acontece, sem um adeus, uma explicação, nada. Nossos corpos se conheceram muito pouco, nunca ficamos sozinhos, nunca fomos ao cinema, eu não conheci teu avô e nem tu a minha mãe e isso não vai acontecer. Mas eu te agradeço por ter me despertado, mesmo que tão rápido e tão lindo.

Read Full Post »

Por Lora Cirino

 

Eu sou estranha e sou grosseira, antipática de natureza. Desde criança carrego o fardo: ”Ô Lorena, você corta as pessoas”, “Ô Lorena, tudo você critica”, “Ô Lorena, você é grossa”, na hora me dava vontade, como continua me dando de dizer e dizendo: ”Pra começar não é grossa, é grosseira…”.

A verdade é que cresci – não muito é verdade – e continuo assim, ríspida, direta e acreditando que gente de humor ácido vai pro céu e que o Shoe me e o Te dou um dado? são os melhores blogs da internet.

Algumas das minhas amigas, algumas, pois a maioria são assim, malvadinhas que nem eu, (ah, os meninos também), dizendo que isso é feio, que eu tenho que mudar, mas mundo, pare e me escute: eu gosto de ser assim, eu acho muito legal você conseguir criticar as coisas, acho muito legal enxergar várias coisas ao mesmo tempo, acho legalzão demais não gostar de quem eu não acho que preste e assumir isso e acho muito divertido dizer o que penso quando isto merece ser escutado. Pra mim, o nome disso é sinceridade. Não tenho a pretensão de mudar, certo? Obrigada!

 Eu não assisti Tropa de Elite, ainda atentei, mas não consegui, tive preconceito logo de início com as músicas – ou a música, sei lá – com os diálogos que as pessoas INSISTIAM EM TRANSFORMAR EM PIADAS e eu insistia e não mover um único músculo da face quando as escutava. Só não peguei abuso do Wagner Moura porque, né gente? Fazia ele fosse como fosse, delícia.

Não gosto de gente que se acha engraçada, prefiro gente que é engraçada e se acha chata, gente com piadinha pronta, que todo mundo ri amarelo por obrigação de rir… Não sei o que acontece, de repente a minha cara fecha, fecha muito, os músculos se retraem, olho para um lado, para o outro, os olhos reviram, parece uma nova espécie de alergia. Urgh.

Meu estômago dói quando tenho que repetir as coisas, ainda mais no MSN, onde existe uma barra de rolagem para você ler o que eu já escrevi. Ok, esse erro cometo toda hora, mas eu posso 😀

Tenho agonia de coisa que não combina, veja bem, misturar estampas, cores, texturas é lindo, é moderno, é fashion, é atual. Na moda e na propaganda, que são meus dois mundos, isso ta cada vez em mais evidência. No entanto, xadrez cor de rosa e branco com xadrez laranja, roxo e azul, perna cabeluda e sandália grendha, definitivamente não é legal pra cara de quem usa. Eu entendo o espelho como um grande amigo e conselheiro, tem gente que o vê como um grande inimigo, que pena.

O mesmo vale para arte, treze fontes diferentes, com fundo degradê do rosa pro laranja e o produto no meio com uma explosão escrito: “OFERTA”, também não é muito bonito.

Mas com tudo isso, não crie antipatia por quem vos escreve, eu juro que sou legal, de vez em quando…bem de vez em quando.

 

Read Full Post »

Por Lora Cirino

 

Tem dias que a lei de Murphy acontece só que meio ao contrário, as coisas saem erradas, mas dão certo. São esses dias que acho  que a vida vale a pena mesmo. São pequenas coisas, extremamente engraçadas, que entram pro ranking do “contar pros netos”.

 

O exemplo mais clássico de todos é aquele velho e bom, que no dia que você não vai dar, sua calcinha é linda, no dia que você nem pensa que vai dar, mas vai, sua calcinha é vermelha com listrinhas coloridas na bunda combinando com aquele lindo sutiã que você tem há três anos e que por acaso é ROXO, ainda bem que existem 20 reais perdidos na sua carteira e rapidamente eles podem se converter em calcinha e sutiã pretos…ou não, nesse caso, fodeu! Ou não.

 

Claro também que quando você vai ao supermercado logo após o banho, cheirosinha, você não dá de cara com ninguém conhecido, no entanto, experimente ir ao supermercado depois de, vejamos… acordar de uma micareta, com aquela bota de lama na perna, cara de ressaca, resto de maquiagem parecendo um panda e grudenta, depois disso pense: “é só um kg de açúcar e é aqui ao lado”, logo após vá ao supermercado. Aquele gatinho que você vê uma vez por ano e que é seu “muso” (masculino de musa, saca?), por  acaso vai estar lá, não é que a danada da irmã dele resolveu dar a luz naquela maternidade perto da sua casa e o fofo foi comprar fraldas? Pois é, ele vai te dar um abração e dizer: ”Nossa! Você tá diferente” e você claro, não vai fazer a piadinha do isso é bom ou ruim…como se precisasse de resposta.

 

Tem aquele dia também, que o antigo bote resolve que você é linda, amável, delícia novamente e vai dormir na sua casa, lógico, que o vidro do carro (novo) quebrado, agora já sem o som na porta da sua casa, não é o do vizinho bregueiro-rabugento-manicão, é o dele, do gatinho, óbvio! E é claro que, a não ser que seja de bike, nunca mais o gatinho irá te ver na madrugada.

 

É, Murphy, você é mesmo muito gozado.

Read Full Post »

Por Lora Cirino

-Hahahaha. Da outra útima vez tu disseste isso.
– É, só que da outra vez eu gostava de ti, agora não.

Uma noite extremamente mal dormida e bem vivida, combinação de ácaros do apartamento fechado, lembranças sem dor e uma força absurda de corpos se debatendo.

Ainda bem que o espaço era novo, isso fazia tudo ser diferente, tua nova casa me representava tua nova vida e me levava para longe de ti. Não existia mais a mesma música, a mesma porta que teimava em abrir, nem os cheiros dos lençóis, nem tínhamos que entrar na beira do pé. Agora éramos 32 anos mais adultos, o tempo era enorme, mas nada que termina como terminamos tem um ponto final de verdade. A tua nova tatuagem ficou bonita, adorei! Mas até isso te fazia diferente, até porque agora eu tinha que dormir do outro lado, para não te machucar e depois percebi que nem olhei a outra que eu tanto gostava. Pintaste meu amigo, mas continuas igual, não mudas teu repertório e isso nos faz rir.

-Tás com sede? Tás bem?
-Tô com sede, mas também tô com asma e tu?
– Tá gelando lá, vamos esperar. Eu sou muito burro, devia ter colocado antes. (falas pra dentro, como sempre)
– É. Tu és muito burro mesmo. hahahahaa. Tás com sono?
– Não. Passou.
– Então fica acordado comigo um pouco.

Teus planos eram outros, espero que dessa vez se concretizem, só pra eu poder te admirar também, além de todo o resto. Agora sem sofrimento, sem dor, ou melhor, com dor, de tanta força que a gente fez.

Me deste um susto porque de repente era aniversário e tu estavas igual a antes, aceitei o desafio e vi que não dava pra sair dele, nossas risadas, os teus braços, meu preferidos, as minhas pernas, tuas preferidas e as nossas lembranças, principalmente das manhãs “dredadas”, com cabelo de surfista e música.

Continuamos achando engraçado o jeito que a gente dança e age, porque parece que não passou nem um dia, apesar dos anos. E aquele fato de não falarmos nada é melhor ainda.

Te olho por um tempo, percebendo minha diferença no espelho e minha indiferença no coração. Não adianta, até agora ninguém te vence, continuas sendo o melhor, em tanto tempo. Pego minhas coisas e te deixo dormindo, sem necessidade de te acordar, nem dramas, nem nada. Agora eu já consigo te beijar sem te acordar . Sair, bater a porta sozinha, deixar a chave lá dentro, não te telefonar e com tudo isso, não sentir nenhuma dor.

É bom descobrir as modalidades que um amor pode alcançar.

Read Full Post »

Escrevo essa carta, pra te contar que hoje nós vamos fazer uma festa surpresa pra ti, esquecemos o bolo mesmo, então pronto, a gente encomenda uns salgadinhos de pedra, que achas? De lá nós vamos dar uma passadinha no solamar e vai ser perfeito. Não! Acho que talvez seja melhor a gente juntar todo mundo na tua casa, inclusive a “maninha” vai estar lá, a Moara vai estar de rasta, e depois, como são teus 18 anos, vamos tirar fotos fingindo que você está consumindo substancias ilícitas na sua identidade e fumando cigarros, vou até pintar meu cabelo de pink para a ocasião. Como é teu aniversário, tu podes até contar para seres semelhantes ao boneco de Marituba que eles, sim…são semelhantes, aí nós enfiamos nossa cara no buraco e pronto, tudo certo! Mas, se você preferir, podemos ir beber tequila na frente da Unama, chorar e cantar músicas sertanejas, mas peço logo que leves uma grana extra, pois o táxi vai custar uns 60, 70 reais…Se achares que o “campus 3” tá muito ralé, podemos ir no strike beber tequila também, mas por favor, dessa vez não vai arrancar a unha do pé com aquele incrível passo na cadeira, ir ao hospital e voltar com tequila escrito na receita, pode ser?
E se tu preferir viver tudo isso, mas não der, fecha o olho e deixa rolar esse filme que já dura tantos anos, pra sempre.
Ainda bem que existe computador, ou a carta estaria toda molhada de lágrimas.
Te amo, feliz aniversário, metade.

Dedicada à pessoa que me fez verdadeiramente entender o que significa: ”to aqui pra tudo, sempre”. Só não digo que é a ohvariana mais linda de todas, porque a disputa é ferrada.

Read Full Post »

Por Lorena Cirino

Domingo passado teve uma “Festa do Navio” aqui por Belém, a proposta parecia ótima: Um barco, vários e corpos e …axé, pagode. Daí já me deu medo! Além do que eu odeio a idéia de me aventurar em lugares nos quais eu não posso sair (fugir) se quiser.

Já de noite, Anna Carla me liga pra um lanche maroto, escolhemos um delicioso X-calabresa do Biga’s. Erro! Um dos maiores da semana. Erro maior do que todos que cometemos no sábado, e não foram poucos, nem discretos.

Pois bem, toda a população do tal barco encontrava-se lanchando, bêbados, no mesmo lugar que nós, pessoas coloridas, de franjinha e intenções que vão do rock ao chorinho.

Depois da visão infernal, angústia, medo, pena da atendente e um misto de sentimentos nunca antes degustados, partimos com algumas perguntas pairando em nossas cabeças rock-regueiras:

– As pessoas perderam a camisa na festa?
– Era proibido ir de camisa pra festa?
– Era obrigatório ir de boné pra festa?
– Se você não estivesse de boné e fosse do sexo masculino, era obrigatório ter luzes nos cabelos?
– Por qual motivo homens fazem luzes e/ou alisam os cabelos?
– “Bomba” é barato?
– Era obrigatório ir de shortinho, salto de acrílico e blusas de viscolight?
– Quem inventou o salto de acrílico?
– Quem inventou a blusa de viscolight com estampa prateado-dourada?

Aqui fica a dúvida e o meu singelo protesto.
Obrigada!

Read Full Post »

Older Posts »