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Archive for março \20\UTC 2009

São Paulo, assusta e atrai com a mesma intensidade. Quando pisei nessa cidade, senti um calafrio. Me levaram logo na rua Augusta, lembrei daquela musica dos mutantes “Subi a Rua Augusta a 120 por hora/Botei a turma toda do passeio pra fora/Hi hi Jonhy, Hi hi Alfredo, quem é da nossa gang não tem medo..”

Nossa!!Muitas pessoas diferentes, pessoas estranhas e bonitas exageradamente. Gostei. Gostei de pisar assim neste lugar, mesmo vindo de uma cidade tão diferente, que eu sou apaixonada: Belém.

Chorei, derramei lágrimas em São Paulo pois senti um medo, mas me apaixonei pela avenida Paulista inteira, amei cada olhar de pessoas estranhas que me olhavam, dos paulistas curiosos, das meninas estilosas. São Paulo encanta.

O metrô, talvez ele represente o que é morar aqui, é ser rápido, é não ver o tempo passar e nem ver a luz do sol se pôr. Mas São Paulo nada tem de cinza, tem de contrastes. Quem perde o tempo perde o metrô, ou ainda pode ficar engatado na porta e se dar mal. É assim, faça logo ou você se lasca. Seja esperto, menino!

Parece uma obra barroca, um jogo de claro e escuro. Ou os caminhos da Pop Art. São Paulo tem grafites nos seus túneos, nas suas lojas, nas suas paredes que eram cinzentas. São Paulo é outro mundo, é tudo o contrário do estereótipo que sabemos pela TV pública. Ah! São Paulo…

Quero te sugar até não poder mais, todas as tuas novidades, todas as tuas culturas misturadas numa grande metrópole. Quem vem para cá consegue entender melhor o Brasil, e toda essa mistureba.

Vim com o coração em Belém, ainda pendurado nas mangueiras, prestes a cair. Vim pensando nas praias, nas ilhas do norte, no que eu não vou poder mais tocar, sentir e amar. Vim carente de meus grandes amigos, meus companheiros. Vim amando uma pessoa, troquei-a por São Paulo. Mas não porque eu quis, troquei por um sonho maior, um sonho desde criança. Uma vontade de crescer, de ser reconhecida e ter mais felicidade.

Vim amando alguém, aquele barbudo, aquele paraense que me entende no silêncio, me entende no olhar. Ao som de “Não se apresse não, que nada é pra já, amores são sempre amáveis. Futuros amantes”. Faz tempo que eu não sentia algo tão puro, tão belo. Mas tudo o que eu quero é ser melhor, acreditando que terei dias muitos maiores e eternos ao lado do meu amado. Terei, eu sinto isso. Mas não será agora, e fico desesperada. Gritei, chorei, bati a mão na parede, pensei também em me arrepender. Mas não, a vida tem suas explicações absurdas, e Deus escreve certo com linhas um pouco tortinhas.

Agora a minha vida é São Paulo e a minha crença no agora, que em breve será ao lado dele, do vermelhinho, e bem perto de meus queridos amigos. Uma dia quem sabe será mais feliz. Eu recomendo.

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…Aí começo a lembrar de ti. Basta eu ter qualquer tipo de crise dessas pós-modernidade, dessas que oscilam entre depressão, tpm, crise existencial, bipolaridade, tanto faz. O que eu quero mesmo é um pretexto pra lembrar de ti. Quando encontro um, puxo todos os gigabytes de memória, passo a mão num cigarro e pego um licor. Lembra do meu favorito? Licor de amaretto, que você insistia em dizer que parece com algum adstringente bucal. Ligo o som. Melhor que isso, escuto um vinil. Vale ouvir aquele disco da Elis que sempre ouvíamos, fazendo uma massa. Qual é mesmo a sua favorita? Acho que é raviolli. Tanto faz. Essa parte da lembrança fica distorcida. Já que era na hora de cozinhar que nós mais liberávamos a nossa louca libido na cozinha. Lembra quando a gente deixou queimar um spaghetti ao pesto, por que esquecemos dele no fogo? Lembro da nossa gargalhada. Nus e com fome. Saciamos outra que pra nós sempre foi mais importante. Gargalhadas… não consigo ter nenhuma gargalhada sem lembrar de ti. Você dizia que minha gargalhada oscilava entre uma psicótica e uma menina do interior. Nunca entendi essa tua metáfora. Eu sempre fui tão boa em entender meus amores, mas você?! Tem horas que acho que ninguém no mundo te lê como eu. Eu te leio. Uma leitura daquelas a lá Hilda Hilst ou Florbela Espanca. Um misto de dor, sexualidade, desequilíbrio, sei não. Paixão desvairada. Falta de ar. Sal de lágrima e suor. Acabou o cigarro. Termino aqui. “Existem mais mundos. Ou altos ou fundos. Entre eu e você”

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Eu te peço, mesmo sem dizer nada, te peço. Não deixa. Por favor, não deixa. É sempre assim.

Depois de um tempo vira comodidade. O encanto vira cotidiano. As palavras bonitas, banais. As rosas, murchas. O humor, alterado. O cuidado, de lado. Nunca apontamos o dedo um para o outro, nem pelos piores motivos. Nem por eles. Agora, sim. Por toda a nossa infantilidade, orgulho e exagero. Mas eu peço, não deixa, é grande demais, é bonito demais, cuida, por favor, do nosso jardim.

Você diz que eu me importo com coisas pequenas, mas talvez não saiba que certas coisas morrem devagar. Por uma falta de afago, por um dia sozinho na chuva, pela ida solitária à oficina. E até mesmo nas coisas mais banais, sabe? Como disse Cazuza. Quem não gosta de um bilhetinho apaixonado grudado no box? Uma mensagem na madrugada de segunda-feira? Você gosta, eu sei. Mas morre de preguiça de escrever no celular e esquece de me fazer aquela surpresa de aniversário porque amanhã é dia de jogo. E depois de amanhã precisará estudar. E amanhã? Ah, sim, é nosso aniversário de namoro, né? É… Ah, foi ontem, né? Desculpa, amor…

Eu bem sei que tenho uma sensibilidade que de tão grande é chata. Mas mais uma vez alguém consegue usufruir o lado bom disso e apontar o dedo pro lado ruim. “Amor, faz isso por mim?”, faço. “Amor, faz AQUELA missão impossível comigo?”, faço. “Amor, gostei tanto desse quadro!”, e eu já tenho um presentinho pra você. Porque eu SOU assim, gosto de agradar até demais, e tudo o que eu quero é que não me olhem como uma besta. E não tirem proveito desse sentimento pra não ter mais “dedos” com as palavras. E não se acomode, por favor, eu imploro, rolo no chão, puxo a sua bermuda, POR FAVOR, não se acomode.

Só pelo fato de querer conquistar todos os dias não significa que eu já to conquistada. Por que será que sempre a interpretação é essa?! Será que não é bom agradar demais que aí a figura se acha o mais novo rei da cocada preta e pronto, acha que pisar amacia. Não é assim. Isso me murcha como poucas coisas nessa vida. Isso me faz fechar o coração. Não é por nada, não. Não é vingança, raiva ou vontade de matar. É pior. Decepção. Vontade de ficar longe e falta de vontade de agradar. Chegou a hora de me recolher. E ir dormir sem sonhar com nós dois.

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