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Archive for dezembro \28\UTC 2008

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“O amor, ah, o amor: eu quero porque quero da vida”

Oswald de Andrade

 

 

Ouvir “eu te amo”. Dizer “eu te amo”. Falar “ou vai ou fica”. Ficar só. Chorar no escuro. Chorar por dentro, sem uma lágrima. Dormir ouvindo Chico. Contar estrelas na beira da praia. “One, two, three, floor” com tequila. Amnésia alcoólica. A dor de partir. A dor de ver partir. Saudades da infância. O sonho da escadaria e eu caindo, caindo. O sonho do carro desgovernado. A luxúria, ah, a luxúria. Tua mão me tocando em lugares públicos. A voz dele ao telefone, tão igual há tanto tempo. O nascer do sol numa beira de rio. O calor obsceno no carro e a terra avermelhada na lembrança. Aqueles óculos com lentes alaranjadas. Praia, areia fofa infiltrando-se pelos dedos dos pés a cada passo. A um passo desse tal paraíso de tantas cores. Lisergia num universo paralelo que só cruzava para nós. A chuva de folhas. A chuva com gotas grossas, doloridas na pele. Os pés calejados, a alma mais ainda. Traições, mentiras, promessas e partidas. Será que você sabe que construo diálogos e situações à distância? Acho que sou louca, ou tô pirando. Ah, falta-me fôlego para tanta luxúria. Banho de mar de topless. Gozar. Gozar a vida. Gozar dos outros. Gozar de si. Fazer amigos. Desfazer prejuízos. Reconstruir. Fazer aniversário. Não ver sentido em viver. Acordar querendo dormir ainda. Dormir. Dormir mais. Comer. Comer muito, compulsivamente. Sofrer sorrindo. Ménage a trois. Beijar aquela boca. Ah, que bocas, que olhos, quantas pernas. Os raios solares incomodando. Óculos escuros para disfarçar olhar de quem tem a alma iluminada existem? Músicas novas, novas sensações. Novas pessoas. Pessoas antigas renovadas. Sofrer, ah como dói no peito sofrer. Amar. Existe amar demais e amar de menos? É possível voltar atrás depois de dito “eu te amo”? É… eu descobri que é, porque deixei de amá-lo. Ou nunca amei. Sei lá. Deve ter doído. Cantar Beatles em cima da mesa. Sentir o vento frio na cara, cortante. Ligar de madrugada. Ficar na vontade, no desejo, na lembrança. Ler. Reler. Nascer. Morrer só um pouquinho todo dia até morrer um montão de uma vez só. E por isso renascer a cada queda e nascer puro a cada encanto. Reviver. Esquecer, apagar ou rabiscar. Tanto faz, o importante é deixar para trás. Recortar e colorir. Cheirar cada parte do teu corpo e lembrar-se de ti enfiando a cara no meu travesseiro e respirando forte. Insegurança no café da manhã e arrogância no jantar. Duas gotas de coragem no café preto e um cigarro forte para inspirar. Respirar fundo e ter plena consciência de que não importa o que a aconteça. O normal é que acontecerá tudo de novo, se Deus quiser.

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25 de dezembro

“You should be stronger than me” toca agora e eu só posso me sentir tão deprimida quanto a Amy ou achar que no fundo eu sei o que ela sentiu. A gente tem esse lance de se identificar com as celebridades quando elas estão no lixo ou quando são o próprio lixo, como eu agora.
É noite de natal, são 2:46 h da manhã e metade da população da cidade está dentro de algum antro tentando perverter-se mais um pouco nesse ano e eu não. Eu preferi um tarja preta, filme água com açúcar e esperança. Esperei dar 2:30 h para poder te abraçar e sentir o teu perfume forte e respirar fundo, aspirá-lo todo para dentro em cinco segundos e guardá-lo, para poder sentar nessa cadeira e escrever o que nunca vais ler porque nada do que quero dizer-te interessa. Nem a mim, nem a ti. A gente já não se interessa mais. É por isso que te desejo um feliz natal assim, meio como se dissesse “olha, vai chover”. É para dar um ar casualidade a dor. Fica tão blasé.
Uma coisa ninguém pode negar. Você finge que não me odeia direitinho e eu finjo que não te amo a ponto de quase me convencer.
Até o nosso próximo fim, no próximo natal.
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Últimos dias de 2008 – Século XXI
– Égua, é muito bom comprar livros, né?
– É…
– Melhor ainda é ganhar. Nossa, ganhar é surreal. Imagina você que a pessoa que quer te presentear passou tempos olhando e folheando diversos livros até encontrar o que se encaixa a sua personalidade.
– Isso!
– Ai, amiga… Deixa eu te dar um abraço?
– hahahahahaha. Por quê?
– Porque eu sinto exatamente isso.

Um dia qualquer do ano de 1992 – Século XX
Escola de Primeiro Grau São Jerônimo. Aprendi a escrever com essa letra redondinha lá. Toda sexta-feira era o “dia da leitura”. Na praça central do colégio eram colocadas mesas enormes de madeira com livros que ficavam lá,  a revelia do nosso imaginário. Não era permitido levá-los para o parquinho, rasgar, rabiscar, derramar lanche em cima ou danificar de qualquer outra forma. Assim era repetido de cinco em cinco minutos na rádio interna do colégio.
Eu costumava investir os míseros 30 minutos que compunham meu recreio na avaliação e eleição de qual livro tinha um harmonioso conjunto que combinasse título interessante, enredo, desenhos legais e aparentasse ter um final surpreendente. Sempre indecisa, sempre.
Foi assim nos últimos minutos do intervalo de um dia qualquer que roubei “O Grilo Mágico”. Tudo nele me agradara. Era quase um milagre, um livro iluminado. A textura (e até o cheiro), as ilustrações de aquarela, os traços finos das fontes e claro, a história em si que era mágica como tudo que uma criança quer.
Aquele livro tinha que me pertencer e voltei para sala de aula apertando-o contra o peito, coração palpitando, o estômago em chamas sendo consumido pelo espírito de fora-da-lei e as bochechas coradas de criança gorda envergonhada.
Da escola, levei para casa. Durante dias mudava o livro de lugar com medo de ter que prestar explicações sobre o que era aquilo, de onde surgira este livro, como eu pudera cometer tal ato – desde pequenininha apresentando sérias tendências a tornar-me uma bela personagem neurótica de Woody Allen – e eu moía e remoia a idéia de que descobririam meu roubo, eu seria pega, desvendada e simplesmente teria que devolver “O meu grilo” à Direção do colégio e ainda levar o título de ladra, de usurpadora. Panic at library!
Os anos passaram, mudei de colégio e o livro ficou. Foi incorporado a minha prateleira como um livro qualquer. Mas de longe eu via o meu, somente meu dirty little secret.
A culpa só passou quando tempos depois numa dessas mudanças na qual você se vê obrigado fazer uma grande faxina geral (na sua vida), encaixotar todos seus pertences e é quando baixa o maior espírito Dalai Lama de Calcutá; eu repassei “O grilo mágico”, juntamente com mais outros livros didáticos, para crianças do interior do Estado.
Como eu nunca tinha percebido isso? Talvez porque nunca tivesse realmente precisado saber. Em virtude de ser mais velha, era meu irmão quem acabava por herdar meus livros já que boa parte da vida, nós estudamos em mesmos colégios. Para ele, isso era bom. Os livros alcançavam a mão dele ainda utilizáveis. Creio que se a realidade fosse inversa, eu não teria livros e sim, lixo tóxico encadernado.
Esse é o destino dos livros. Sem nhem nhem nhem de Secretaria da Educação, nem nada. Tô falando de karma, de energia, de dever na Terra. Cíclico, como a própria vida. O conhecimento, a lição, a aventura literária (ou matemática, ou geográfica, que seja…) seguindo mares e pares e lares nunca d’antes visitados.

21 de dezembro de 2008.
Quando a Mayra, em meio a uma livraria, exclamou para mim o quanto ela achava ganhar livros algo do caralho, eu só queria mesmo era abraçá-la. Isso sim é sintonia.
Faz parte dos pequenos prazeres da vida aquela sensação deliciosa que lhe atinge quando você lê algo que te emociona de qualquer forma e que subitamente lhe remete a algo ou alguém e vem aquele ímpeto de dividir um trecho, uma frase, um personagem com uma pessoa em particular.
Uma vez peguei da estante de minha mãe um livro chamado “A Festa”, de Ivan Ângelo, por conta de Caio Fernando Abreu tê-lo citado na apresentação de algum livro. Assim que folheei aquelas primeiras páginas, deparei-me com uma dedicatória de meu pai para minha mãe, que terminava assim: “… beijos amorosos meus, da nossa Carol e do nosso filho que está por vir”.
É nessa hora que eu conto para vocês que meus pais são separados há bem mais de 10 anos e meu irmão, que hoje tem 23, mora fora de Belém há dois anos. Não o vejo há esse tanto de tempo. Ler aquelas palavras foi como montar um quebra-cabeça, resgatar um pedacinho da história de cada um de nós quatro e relembrar que por mais que haja a vida que é estranha e haja a distância (física e emocional), somos e sempre seremos partes de um todo. Não tem como fugir disso.
Numa partida já deixei livros com pessoas queridas porque queria muito, muito que ambas tivessem algo meu: “A hora da estrela” (C. Lispector) e “Memórias de minhas putas tristes” (Gabriel Garcia Marquez). O livro de Clarice eu já havia lido pelo menos duas vezes, tornando assim Macabéa uma personagem viva na minha memória e que por vezes divagando em rodoviárias e centros comerciais eu conseguia de fato personificá-la na figura de caras estranhas e amedrontadas que cruzavam comigo.
Já o livro de Garcia Marquez eu já havia ganhado nessa mesma situação sob a qual eu o repassava, de alguém que partia. Então o passei a frente, como passos que gente dá para avançar: um a frente do outro.
Adoro a coleção sobre Filosofia Antiga que ganhei do meu pai. Confesso que só me foram úteis nos dois primeiros anos da faculdade. Mas eles conferem uma importância tão grande à minha prateleira: são sóbrios, com capas duras escuras, letras douradas e arabescos em cor de vinho. São livros  com cara mesmo de herança. Em meio aos meus livros de capas modernas e coloridas, são eles que impõem respeito e destacam-se.
Como eu poderia explicar para minha amiga que Caio Fernando Abreu é intenso, é sujo, é espiritual e sexual… Como? Eu comprei “Pedras de Calcutá” e antes mesmo de abrir a primeira página, emprestei a ela porque eu simplesmente precisava que ela soubesse sobre o que eu tanto falava.
Da mesma forma que só fui entender o que outra amiga minha queria dizer com “…nessa fase da minha só tenho amores a la Bukowski” depois de ler “Numa fria”. Era exatamente o que eu pensava: sexo casual resultante de bebedeiras homéricas e desapego, muito desapego a qualquer relação. Solidão existencial.
Não há outro jeito de dividir a emoção da leitura senão fazendo com que o livro corra por entre mãos eleitas. Não seria a mesma coisa se eu passasse horas e horas falando sobre o livro e fazendo mil e uma citações. É como pedir que alguém se emocione o mesmo que você vendo uma foto que você tirou de uma escultura no Louvre ou sei lá, em algum lugar muito fodástico para a mente e para a alma. Você só vai ter uma imagem e nada mais. O felling é único, não é repassado com o flash.
As histórias são sempre mais legais nos livros do que nos filmes. Dedicatórias em livros são sempre muito mais sensíveis, tocantes e perenes do que cartões com mensagens clichês e cheias de purpurina. Ler é muito melhor que ver televisão – pelo menos canal aberto – na maior parte do tempo.
Tenho meus grandes orgulhos de presente, como “Mamirauá” do Thiago de Mello e Luiz Cláudio Marigo – o qual me foi dado pelo próprio Thiago de Mello em 2003, num seminário que eu trabalhei e que rende uma crônica que com certeza viraria um capítulo na história da minha vida – e “Morangos Mofados” do Caio F., que ganhei de um ex-namorado. Nenhum dos dois livros eu dou, empresto ou deixo fotografar. São my precious, meus “grilos mágicos”. Um dia eles cumprirão seus ciclos e percorrerão outras mãos.
Não tenho como descrever que as mangueiras em frente à Estação das Docas são totalmente “Tim Burton” se você não estiver ligado no “Estranho Mundo de Jack” e é para isso que mando e mails com links das coisas mais variadas, toscas e legais possíveis. É só porque eu não posso estar com todos que eu gostaria em tempo real todo dia, conversando ou contando sobre como eu achei maravilhoso saber que o tal Tim irá dirigir “Alice no País das Maravilhas”.
É como a Mayra me ligar da casa número 1 do Quai de Bourbon, por causa de Camille Claudel, Rodin, Caio F. e uma promessa que fizemos a nós mesmas de tomar um dia um café  à beira do Sena. Sem deslumbres, apenas idealizações de vida adquiridas por meio de tudo de cultura que compartilhamos um com a outra.
Porra, dar um livro que eu já li é quase um convite a conhecer-me, a permanecer na minha vida ou quiçá um pedido, quase um sussurro de “não me esqueça”. O livro vai com as minhas marcações, minhas anotações que vão de encontro as divagações do imaginário de quem recebe e sobre quando, onde e como eu folheei tais páginas. É mágico, que nem o grilo. A meu ver, é realmente um presente, no amplo sentido da palavra.
Um dos meus livros queridos – que não dou, não empresto e nem pensar em fotografar – é bem quisto por isso, por eu ter sido sua segunda dona. Na verdade, sabe Deus quantas histórias esse livro tem pra contar que estão além de suas páginas pois ele foi comprado num sebo.
a634b74d920f266235d5a1a0ffd677b2e689c0bc_mSó sei que é melhor que qualquer terapia, qualquer antidepressivo. É energia pura e das boas. É kármico!

12:32 h – 22 de dezembro de 2008.
Notas adicionais:
Fome!
Estado emocional: leve
Cuca: legal

Você tem algum livro para indicar ou dar hoje? Aproveita!

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Balanço 2008

Esta é a época de divulgar o balanço dos últimos doze meses. Da Federação Internacional das Indústrias até a peixaria do seu Zé, todos acabam trocando um momento de distração por lápis, bloquinho de contas e calculadora. Até mesmo os mais desorganizados e desprendidos desse costume tiram uns minutinhos para avaliar o saldo do ano que vai embora. Se positivo, enchem a cara no dia para comemorar. Se negativo, compram uma grade para afogar as mágoas.

 

        Quanto a mim, posso dizer que reclamei. Foi um ano de muitos protestos, teorias e reflexões sobre a vida. Momentos de revolta, pouca tristeza, mas muita inquietude. Foi o ano que o desespero chegou, “quero tudo: dinheiro, emprego legal, tempo pra descontrair com os amigos, vida amorosa estável, baladas de sábado com a roupa da vitrine, ajudar os velhinhos desabrigados, estudar outra língua, visitar um lugar diferente, conhecer pessoas novas, viver, viver, viver”.

 

        Tinha uma sede incontrolável ao pote, por isso batia o pé, eu queria tudo, e queria já, agora, rápido que time is money, is honey, is one day more close to death. Passei o ano com o coração agoniado. Eu queria correr, subir todos os degraus, ter histórias pra contar. Dei uma de mimada e ponto. Por ironia, quanto mais rápido eu me articulava, mais me sentia presa, empacada.

 

        Comecei por sair quase todos os dias da semana. Eu tinha dinheiro, um emprego que adorava, o que não me fazia perder a responsabilidade e me tirava a dor na consciência. Entre uma cerveja e outra, conheci pessoas novas, aprofundei antigas amizades e ouvi histórias surreais. Eu tinha a sensação de cada vez mais conhecer a vida de perto, apesar de viver a minha de longe.

 

        Foram momentos felizes e inesquecíveis que, sem dúvida, me fizeram crescer. Mas era preciso arranjar alguma fórmula mágica pra tentar apagar essa ansiedade maluca que eu tinha de sempre querer mais e não ter paciência de esperar a concretização dos meus sonhos.

 

        Pois então que sai de mim e tomei certas atitudes que não considerava do meu feitio. Nada grave, aos olhos de outrem. Me perdi pra poder me achar depois. Procurei em rezas, livros e lugares saber até onde eu era capaz de chegar, o que de fato eu tanto almejava? Foi difícil, complicado, sofrido, cheio de uma falta de paz de espírito.  

 

        Mas eu me encontrei, sim. No final do ano, admito. E gostei do que pude ver. Tanto abstrato se transformou em construção. Hoje prefiro colocar o tijolo do que querer o muro feito. Não é fácil não, gente. Não serei piegas ao ponto de dizer que no fim das contas encontrei a felicidade plena para sempre – até porque ela não existe.

 

Porém, dizer que o ano foi negativo é renegar a minha evolução. Adquiri conquistas impagáveis, perdi outras guerras. Comerei as uvas da virada com outras muitas dúvidas, vontades de mudar e uma esperança renovada.

 

A diferença, no entanto, faz toda a diferença: o coração está tranqüilo e manso como uma bênção. 

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Madame

Por Alice

Sabe, garoto, você é bonitinho. Eu sei. E nem é porque usas essas roupinhas apertadinhas, mostrando os músculos, os bíceps, os tríceps e zero neurônios. Você só é bonitinho porque é jovem. Ser jovem é ser bonito. Sempre foi assim e sempre será. As propagandas da TV, dos outdoors, são feitas para vocês. Mas pouco importa, não mesmo. Você só vai saber um pouco sobre isso quando o sal da vida te corroer e te deixar tão enferrujado quanto eu. Daí você vai sair por aí pagando meninas – que nem eu pago a você – para te ouvirem, te beijarem, te chuparem e sorrirem para você; ainda que saibas que é um sorriso asqueroso recheado de pena.
… porque foi duro ser. Foi difícil acordar, levantar, respirar e repetir “bom dia” todo dia. Foi foda ser mulher o tempo todo e gerar uma vida durante meses e ter que amar uma coisa que crescia em mim, me deformando, me esticando, possuindo meu corpo. Eu sei que toda mulher sonha com isso durante a vida. Também sonhei e esperei e tive aquele corpo estranho querendo transpor-se ao meu ventre dolorosamente para depois estar em meus braços misturados com meu sangue e o deles. Porra, garoto, é um amor muito fodido, sabe? Não se compara com nada na vida. Nem com uma boa foda, uma dose de uísque com coca, uma dose de heroína ou uma injeção de adrenalina pra ressuscitar da overdose. Mas bom mesmo é ser mãe jovem, porque depois que você fica velha, você se torna um fardo. E olha que nem tô tão velha assim. Ainda dou um caldo, ainda tenho a minha pensão que me possibilita te pagar por uma boa foda e uma dose de uísque com coca. O prazer que me resta é o carnal, é gozar, gozar, gozar.
Ah, fora que depois ainda tem a vergonha. É, garoto, Você pensa que é só filho que expurga mãe de perto? Não, neném. A sua própria mãe… duvido muito que ela continuaria acariciando esse rostinho bonito, com pele de bumbum de bebê, se soubesse que você enfia sua cara na minha boceta, na xoxota de uma velha.
Por isso que eu digo que não é fácil ser mulher, não, senhor. E eu vejo por aí, nessas esquinas sujas e soturnas da vida, essas bichinhas de silicone no peito, querendo ser fêmeas a todo e qualquer custo. Eu fico me perguntando “pra que, porra?”. Por quê? Se vestir de mulher não vai fazer você ter uma racha no meio das pernas e sim um vazio psicossocial na cabeça. Vai fazer o pobre homossexual virar um freak que vai ser freak em qualquer situação: fila de supermercado, banco, cinema, dermatologista. Puta merda. Eu quis durante muitas vezes ser homem para revidar os tapas que tomei ou para poder bater naquele garoto de programa que roubou todo meu dinheiro. Filho duma puta aquele moleque, olha…
Você não é desse tipo, é, amor? Olha, presta atenção. Não me engana. Eu só quero foder, gozar, tomar um banho e voltar pra minha casa. Eu não tenho grandes bens e nem ninguém que se importe comigo caso você me seqüestre e peça resgate. Eu só tenho essa vida mesmo porque Deus é camarada ou porque ele me castiga ao não me fazer morrer. Talvez seja porque eu já tentei fazer por mim mesma e não deu certo. Tem alguma coisa nessa minha existência que eu não sei o que é, que insiste em existir, essa alma existe ainda em habitar meu corpo e não tem adiantado muito detoná-lo, estragá-lo, depredá-lo. Ainda respiro. Escarro uma secreção sangrenta cada vez que tusso. Mas ainda não me impediu de respirar.
Portanto, querido, não me mate, não me roube e não me violente. Porque eu provavelmente vou gostar e se não gostar, não vai me assustar. Mas eu vou adorar te puxar para baixo comigo, vou te buscar no inferno só pelo prazer de te ver igual um bichinho assustado que roubou a madame carente. Estamos em entendido? Bom! Então pede a conta aí porque a noite ainda é uma criança e que quero mais é abusar dela! hahahahaha
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Um trecho

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(…)

Cada vez que me apertas contra teu peito, me sufocas e eu não consigo respirar. Cada vez que me apertas na palma da tua mão, como um punhado de areia, eu caio por entre as brechas aos poucos até que quando tu possas abrir só haja a sobra, só haja o um nada de areia que de nada te servirá. Um punhado que não serve nem para jogar em cima de um caixão antes da última despedida.

Eu ando tentando me consertar e abafar o que sou e ainda me entender no meio disso tudo. E com toda minha fraqueza posso te afirmar que não tem sido fácil e engulo toda dia uma pílula cujo único objetivo é fazer-me sentir bem. Mas continuo me sentindo vazia e tentando fazer com que isso passe num estalo de tempo, entre um cigarro e outro. Sem muito sucesso, confesso.

(…)

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Fake

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Eu sei que tem uma razão que me explique de forma sensata – razão, cadê você? – porque quis e quero te conhecer melhor. Eu nem sei de que buraco saíste, ora. Contudo, todavia, porém, entretanto – eu e meu vocabulário rebuscado – é engraçado imaginar todos os jeitos e trejeitos das piadas que fazes nessas sempre poucas horas de mensagens instantâneas e ignorar tua procedência.

Confabulo mil vezes sobre como vai ser, quando vai ser e como vais ser. Sem essa imagem estática e sorriso congelado de foto. Não! Quero movimento. Quero que vejas o quanto gesticulo enquanto falo e quero simular ao vivo, assim, com todas as cores da minha cara pálida, o sorrisinho canalha que dei para os links sobre notícias como o inglês carente que traçou um cavalo ou a lista das 10 bebidas que tornam as mulheres mais fáceis.

Isso tudo é muito fake mesmo. É falso sentir saudade de quem não se conhece e é falso entrar numa livraria e ter vontade de comprar um livro… para quem não se conhece. É tudo extremamente fake. Sabe Deus se eu mesmo não sou forjada.

Eu vivo nessa minha bolha assim imperturbável, só deixo entrar quem eu quero. Acostumei-me a escrever cartas longas para ninguém, ir embora da vida dos outros sem me despedir, entrar sem ser convidada, falar sem ser requisitada e dar a cara à tapa. O mundo real só me pertence ás vezes. Eu devo ser um personagem de algum filme B.

Ainda sonho muito. Não desses sonhos bobos com cavalos brancos e sapatinhos de cristal. Eu sonho com viagens, com pessoas diferentes, com um milhão de lugares inusitados e os livros que quero ler. Sonho demais com a vida que eu quero ter, com as pessoas que quero ter por perto de mim. Acréscimos sempre.

E esse lance de ter pessoas legais por perto, eu mesma construo. Eu trago para meu lado quem eu quero e expulso personas non gratas, sem rodeios. Atendo a todas as minhas vontades porque acho que estou ficando velha para ter tantos pudores e sou muito nova para me privar de atender aos meus impulsos positivos. É só isso. É feio ser infeliz e limitada.

Eu escrevo muito e digo que sou prolixa para descrever isso. Eu adoro Xico Sá e o portunhol tosco dele que me disse que todo amor começa no paraíso e termina na Consolação. Eu acredito que podem existir homens legais e que meu filho fará parte desse hall, porque ele já é da nova geração de crias de mulheres bem resolvidas. Sim, eu me considero muito bem resolvida, obrigada. Eu ainda acredito nas pessoas.

Eu não minto minha idade, meu nome, meu estado civil e nem minto pro Imposto de Renda. Eu gosto de cheiro de roupa nova, de chuva e de gasolina. É, eu sou estranha. Eu estranho pessoas que falam durante os filmes e adoro Nescau gelado. Eu sou cheia de sardas no colo, nos ombros e tenho umas saboneteiras tão fundas as quais seriam um deleite para Vinícius de Moraes que dizia que mulher mesmo tinha que ser assim que nem eu, com ossos salientes.

Eu devo ser fake por te dar tantas informações assim, de uma vez só. Eu só posso mesmo é ser fake por entregar-te tanto assim, quase à toa, tanto de mim quando em outras situações foram necessárias muitas conversas e entrelinhas para saber uma coisinha de nada a meu respeito.

Mas vamos combinar que eu sei e tu sabes que essa distância é real e longa. Quilômetros e quilômetros de conversas inacabadas pelo fim do expediente. Isso sim a gente sabe que é verdadeiro. Então, aproveita que é invenção. Aproveita que não há paraísos e não haverá consolação. Haverá um dia alguns dias, quem sabe algum encontro, Augusta, um bar, algumas cervejas e só isso ou tudo isso.

Mas faz que nem eu: aproveita porque é bom, ou não é?

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