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Archive for agosto \29\UTC 2008

Por Moara Brasil, das customizações.

Propaganda política realmente faz a gente sair do sério e, claro, faz a gente rir bastante. De vez em quando, na hora do meu jantar, paro para olhar as novas criaturas que os partidos apresentam para o povo. Façam isso minha gente! É envolvente.

 É aí que eu me deparo com uma grande questão “Quem foi que convenceu esse fulano de tal que ele tinha que ser candidato a alguma coisa na política?”. Uns são fanhos, outros falam para dentro e outros gritam que chega a doer os tímpanos. E metem medo quando berram imperativos “É em mim que você tem que votar, só assim sua vida vai mudar!”. Meu coração pula e chego até a ficar convencida com o rapaz…

As gêmeas do PT? Que isso rapá, diz pra outra parar de ficar olhando pro laaaado! Ei, tem alguém aí do outro lado da câmera? De onde surgiu essa criatura? Pegaram ele ali na esquina e colocaram uma câmera na cara dele, só pode! Ai… estou começando a ficar nervosa, derramei até meu copo d´água. O que esse homem está falando, o que ele tem na boca? Que roupa é essa? Conta pra ele que ele está na televisão, por favor minha gente! E que ele precisa convencer o seu eleitorado! E pior que convence!

E os jingles, nossa! O regionalismo e a música do povão comanda, mas eu acho até divertido brega, raps, e coisas afins. A única coisa que realmente me diverte. Uma verdadeira escola de marketing e publicidade amadores, de tudo aquilo que é tosco, e que é merecido para quem realmente é tosco.

O quê? Até o Dj da aparelhagem? Não é possível. Engraçado são os candidatos à vereador no interior..a maioria é sempre assim… “Fátima da farmácia” (será que só tem uma farmácia por lá?), “João da Taberna”, “Renato do raio-x”, “Juvenildo conquistador”…e assim vai… Agora, época em que eu tenho que conviver com a política e trabalhos que giram em torno disso, me deparei com muita coisa estranha como  “Tabaco” ( Imagina um slogan do tipo “Vote Tabaco, mais saúde e trabalho!”), “Elias do Taxi” (Sua corrida com taxa mais barata) , “Tonelada” e até “Coca”, por que será que o chamam assim? Nem vou comentar sobre isso…MEDO.

Mas depois que fiquei sabendo que até a Gretchen éstá nessa onda de política, já não me assusto mais com nada. Ela mesma já disse publicamente que está tendo aulinhas de política para ser uma boa prefeita, é isso mesmo Gretchen, você está certíssima! E como será essa aula de política? – Gretchen, minha gostosa, você não pode falar desse jeito, agora tem que se comportar como gente! Agora você tem que ter aulinha de safadeza, mas não dese tipo que você tem levado a sua vida toda. Para quem foi sucesso com hits como o “Conga Conga Conga”, não devemos  fazer pré-julgamentos, e vamos esperar outros tipos de sucesso, que o povão agradece! Pena que, com certeza, não a deixarão fazer Festivais de Cinema Pornô Amador Brasileiro, eu ia adorar mana!E quem não ia?

Se divirtam com esse video de políticos fantásticos do Brasil, é muita criatividade:

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  Por Sofia Brunetta

 

      Acordou de mau humor e resolveu chutar o  balde:  Falaria a verdade, escreveria em garrafas de vidro e soltaria para o mundo.Constatou que,em tempos ecologicamente corretos, seria um crime, e ela se veria rodeada de ecologicamente-chatos abraçando árvores. Pegaria mal.

      Resolveu começar um  e-mail e espalhar para o mundo. Lembrou do quanto é chato espalhar correntes e e-mails cheios de verdade e resolveu digitar e depois ver o que fazer de suas “anomalias sócio-educativas”, o termo que ela resolveu dar para seus arroubos de sinceridade.

      Resolveu começar com os “ porquês” e estender os comentários o quanto desejasse:

-Porque dizem que balé com deficientes físicos é legal se não existe nada mais macabro?

-Porque branco é branco e Preto não pode ser Preto, se cabe melhor nas piadas de Preto?

-Porque se o Seu Jorge ou o Caetano usam “ pretinha” fica carinhoso e se eu chamar minha empregada de “pretinha” vou para a cadeia?

-E por que tem gente que chama empregada de “secretária do lar?”

-Dondoca não pode ser Dona de Casa se for rica, mas dona de casa não pode ser dondoca se for pobre…por que?

-Por que o filme da moda vira piada na boca do povo?E nas letras de brega?E nas propagandas?

-Por que pseudo-intelectuais adoram lugares imundos e fedorentos?

-Por que todo mundo que gosta de se vestir bem e freqüentar bons lugares é considerado fútil por eles se a maioria dos pseudo- intelectuais gostariam de ser mais bonitos ou ricos também?

-Por que em academias só se fala de músculos?Fora aquele professor que se acha o máximo apesar de estar fora de forma ?

-Por que todo Gordo é “Gordinho” se quando ele comete um delito vira “ Gordo Safado?”

-Por que temos que achar todo bebê de colo ou filhos dos outros, sempre lindos? Já viram as crias da Carla Perez?

-Porque toda música com loura ou lourinha é sempre infinitamente pior que as que têm morenas como musas inspiradoras?

 -Por que toda mocinha é um saco? Quando são decididas elas vão para a prisão ou são justiceiras ou cangaceiras, nunca mulheres normais (?), como eu(?) e você(?).Por que?

-E por que as pessoas adoram ver crianças cantando se não há nada mais chato e elas sempre erram a letra?

-O mesmo para velhos;

-O mesmo para deficientes auditivos, gatos, cachorros. Só escapa a Kátia Cega ( faz de conta que ainda é cedo…)

-E por que agora as coisas têm que mudar de nome? Velho virou “ melhor idade”, por exemplo, e os aleijados, palavra muito mais sonora, têm que ser chamados de “portadores de necessidades especiais”

-Por que é feio dizer que dinheiro importa e que pegar alguém que tenha carro é muito melhor que dividir a roleta?

-Toda mulher se masturba apesar de negar veementemente.

-Sua mãe também é mulher, sorry.

-Por que inventaram que fios de ovos são comestíveis se não há nada mais fedorento? E cafona?

-Por que é feio bocejar?Ou rir alto?

-Por que os mocinhos são os mocinhos se os vilões são sempre mais gostosos/ atraentes/sedutores/engraçados/irônicos/ interessantes e ainda assim a mocinha apenas pode transar…ops, ser seduzida por eles, mas depois voltar parta o songa…mocinho…

-Por que as novelas reprisadas são sempre as mais recentes/piores?

-Por que o coroa garanhão pode ser amado e a garanhona é sempre a velha doida?

-Quem disse para a Suzana Vieira que ela ainda é atraente?

-Por que todo mundo amava a Dona Jura?

-E o Tonho da Lua?

-Por que ninguém oferece um Halls para a Ana Maria Braga? Não há uma fonoaudióloga na Globo?

-Por que todo Domingo tem que ter Faustão?E porque ele usa relógios de parede no pulso?A fonoaudióloga fugiu com a figurinista?

-Por que o Roberto Carlos faz o mesmo especial a mais de vinte anos e ninguém contesta?

-Por que colocam atores que cantam mal para formar duplas/grupos nas novelas e ainda por cima usam playback mal feito quando eles começam a ladainha?

-Por que as boates das novelas só têm meia dúzia de gatos pingados e ainda usam voáu na decoração?

-E todo mundo bebe suco em bares adolescentes?

-Por que os fumantes não têm mais o direito de fumar?

-Por que é antiético se envolver com colegas de trabalho gatinhos?

-E por que a mulher é que vai para a rua?

-E por que as pessoas repetem tanto os jargões? Voltemos a Dona Jura…

-Por que é proibido gostar de reality shows se todo mundo assiste?

-Por que as pessoas não falam palavrões em novelas se quando a novela acaba sempre soltamos um “Puta merda!” ?

-Por que as pessoas são tão ecologicamente corretas se em casa todo mundo está nem aí pros mananciais?

-Por que existem tantas regras para utilizar o “Porque, por que, porquê,  porquês”?

    Não conseguiu respostas, mas sentiu a alma mais leve. Postou este texto politicamente incorreto neste blog politicamente incorreto e espera os “coments” de vocês, leitores sinceros. E igualmente incorretos, incoerentes, maravilhosos.

 

 

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Sexo e a cidade.

Sábado, nove e pouco da noite, diferente da maioria dos sábados, cá estou eu. Em casa, cansada da nova jornada de trabalho, jogada a mais de três horas na minha cama, sem querer nem mesmo ligar pra quem eu ligo constantemente. Eu, minha carteira de marlboro light e mais alguns filmes do lado da TV.

“Paranoid Park é filme pra se ver concentrada e eu tô um pouco cansada”, “12 macacos… nâo tô com pique pra ver um policial uma hora dessas.”, “Já sei, Sex and the city, leve, mela cueca, sim é disso que preciso”.

O que eu não fazia idéia era que um filme desses ia me fazer chorar umas quatro vezes. Nem tem sido muito de praxe me comover com os filmes (apesar da minha eterna fama de protagonista de novelas mexicanas), mas existem umas mensagens quase subliminares que realmente me puxaram pro chão. E não me refiro aos momentos de ápice, e sim, cenas que devem ter sido pra maioria, uma passagem de take, nada mais.

Casamento. Filhos. Trabalho. Solidão. Amigas. Família. Carreira. Porres. Sexo. Desencontros. Separação. Maturidade. Amor.

Fatores que tornam cada pessoa única. Cada experiência, cada vida, traduzindo e nos transformando exatamente no que somos. E ao mesmo tempo transformando esses assuntos em linguagens tão universais, que cá estou eu, sozinha num sábado a noite vendo Sex and the city e chorando pra lá de quatro vezes.

Sem dúvida nenhuma, esse ano me fez uma pessoa muito mais inteligente. A graduação concluída, os livros, os filmes, as pessoas que apareçam por aqui e me deixaram (ou deixam) conhecimento todo dia em minha vida. Sim, eu tenho a consciência de que hoje, mais do que ontem, tenho algo a acrescentar numa conversa, sem medo ou insegurança de achar que tô falando merda. Fatores empíricos também contribuem (e muito) para essa evolução. Morar sozinha (sozinha na prática, pois na teoria, moro com uma amiga que está no auge do seu início de namoro), ter meus pais longe mais do que quinze minutos da minha casa, coisa que também é inédito, pois até mesmo quando estive casada, dez quilômetros eram a minha maior distância física, distância essa que só aumentou uns trezentos e poucos quilômetros. E tudo mais que acontece diariamente, me torna uma pessoa mais compreensiva.

Tenho me esforçado a entender tudo. As dores e as delícias que cada partícula desse mundinho pode nos oferecer. Mas se tem uma coisa que eu desconheço cada vez mais é o sentido do amor.

Não entendo o que há de tão difícil e doloroso nesse departamento… Infidelidade, saudade, oportunidades fracassadas. Qual será o segredo disso tudo? Como destrinchar os sentimentos ao ponto de fazer agirmos da maneira certa quando amamos? Qual lado do cérebro tem que falar mais alto? Como saber que aquele amor foi o amor da sua vida e que depois disso, do desperdício do sentimento, das chances esgotadas nada mais terá o mesmo gosto? Ou se tudo isso é besteira é que alguma hora, cedo ou tarde vamos voltar a sentir taquicardia quando alguém se aproximar? Existe amor puro depois de tantas desilusões? Ou agora depois de tanto amadurecimento os sentimentos acompanham isso e se transformam?

Meu momento “Carrie Bradshaw” me deixa mais confortável em minha casa com meus filmes, cigarros e computador, para ver, pensar e escrever, do que as tentativas falidas de ver algo interessante ao meu redor. Assim, se pelo menos eu não entender, eu deixo tudo registrado para que daqui uns oito anos eu possa ler tudo de novo e dar aquela velha gargalhada de quem já acha que os problemas antigos, comparados com os atuais são verdadeiras piadas. E não me reporto ao filme como uma coisa piegas, “Quem será minha amiga Samantha, Charlotte e Miranda?”. Nada disso, o que me deixa intrigada é ver que os sintomas de solidão, desilusão, desamor e paixão são universais. E que a busca por essas respostas é generalizada.

Nessa hora eu paro o filme e boto minha pizza de quatro queijos no forno. Outro atestado de solidão. Olhar pra uma pizza e saber que existem duas opções, guardar metade dela, como quem guarda para alguém, ou comer como uma compulsiva depressiva. Depois do meu momento Clarisse Lispector, (onde no momento eu substituo a barata pela pizza), desisto da filosofia, guardo a pizza e volto pro filme. Já na angústia de vê-lo terminar, para voltar ao laptop e escrever.

O filme acaba. E com o fim dele a minha vontade de entender tudo isso só aumenta. Mas quem pode me dar resposta pra tudo isso, que não seja eu mesma?!

Ai… enfim…

Desligo o computador e vejo “Paranoid Park”.

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Por Moara Brasil

Durante muito tempo ela não sabia o significado das perdas. Já tinha passado da fase da adolescência, e já se encontrava com responsabilidades e decisões que já não faziam parte daquela vida de “menininha”. Xingava a todos quando ela sofria, odiava o destino quando ele não a obedecia, ela queria tudo e todos dentro daquele umbigo.

Aos poucos foi caindo a ficha. E antes aquela frase que ela achava uma babaquice “Há males que vem para o bem”, ela começou a entendê-la como uma sabedoria realmente divina. Desde quando ela saiu daquele emprego medíocre, com salário medíocre, que a sugava o dia inteiro, ela aprendeu a observar o seu grande patrimônio, a sua família.

No quarto ela chorava como uma criança, mas refletia como uma adulta. Ela estava diferente, não se reconhecia. Não era amiga dos irmãos, não sabia nem a cor predileta deles, não reconhecia o cheiro do perfume. Do seu pai ela só conhecia os erros, os vícios, e que ele gostava de uma cerveja. A mãe, ela também estava afastada, já não eram amigas, a família não existia.

Nesses últimos anos ela foi imediatista, queria saber só de ganhar o seu dinheiro, mesmo que fossem míseros trocados para gastá-los em bebidas e festas em todos os finais de semana do ano.

Quando ela perdeu a boemia, ela percebeu que a sua vida poderia ter mais cores e outros sabores. Ela sentiu o doce de passar uma noite assistindo à um filme no seu lar, ela aprendeu a curtir a noite com o seu irmão sem se embriagar, se informou mais sobre o mundo, e resolveu visitar a sua velha vovó nos almoços de domingo. Quando ela perdeu o seu felinino predileto, ela prometeu cuidar do resto como filhos, para espantar boa parte daquele egoísmo de adolescente.

Quando levaram para um lugar distante todos aqueles bens imateriais, escritos em anos (textos, poesias, prosas etc), ela viu que o papel ainda é o meio mais eficaz para guardar a sua vida, e não quis mais depender de computadores, comprou um caderno de anotações. E resolveu escrever coisas melhores, registrar a vida através do grafite.

E a dor daquele amor… depois de um tempo aprendeu que aquele sofrimento foi necessário, pois só assim ela aprenderia a amar a si mesmo, como hoje, e ficar bem preparada para outros que estariam por vir, sem obsessão e vícios.

E assim ela foi levando a vida, como disse a mãe Maria, das cartas de tarot. “Passarás por isso, sofrerás aquilo, e só entenderás quando a tempestada já tiver passado”. Uma vez ou outra ela se tocava do que a velha previu para a vida dela.

Hoje ela entende o porquê daqueles mudanças, daqueles tropeços, daquelas escolhas e frustrações. Se ela perde, era para ganhar coisa melhor depois. Era melhor pensar assim do que o contrário, e seguiu essa filosofia. Não tem mais aquela angústia e desespero, pois sabe que dias melhores sempre virão. É para compreender justamente o que ela é hoje e no que ela vem se transformando para o amanhã. Pode até parecer lições de livros de “auto-ajuda” baratos. Mas isso será a virtude que ela vai levar pra sempre no caderninho de anotações.

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Reunião

     

 Por Sofia Brunetta

    

 

         Sempre foi uma mulher moderna. Muito do ar de arrogância que algumas pessoas sinalizavam vinha do fato de que no fundo ela sempre esteve sozinha. Para trabalhar, para ganhar a vida, para chorar, para reclamar: encontrava consigo mesma do outro lado, a imagem refletida enxugava as lágrimas e vida que segue. Era o lema, a verdade para ela. O restante vinha das aparências, de estar em evidência, mesmo nos dias em que, caneta  aparando as melenas, ela queria distância do mundo.Sempre esteve cercada de gente, desde a época em que a família barulhenta se reunia: era preciso gritar os direitos, as opiniões.Agora, por mais que deseje, ela não pode alterar o tom de voz. Não é de bom tom.

        A vida pessoal virara uma extensão da profissional dedicada: urgência, velocidade, praticidade- “Vamos conseguir! ( fator motivacional ao parceiro)”-“ Chegamos a um estágio em que nossos interesses não estão alinhados”( fim de namoro). Dia seguinte,  tudo dentro da conformidade, atendia aos telefonemas, sorria, respondia com o “Tudo bem, obrigada. Vamos aos resultados.”o usual.Um dia encontrou com ele. Já havia visto outras tantas vezes, lançou o sorriso com que sempre conquistou fornecedores e parceiros, ele retribuiu com uma piada descompromissada e ela devolveu uma risada sincera, desta vez. Conversaram muito mais que o habitual. Em tempos virtuais, ela lia e-mails e recebeu um dele: trabalho a fazer, preguiça, perguntou sobre ela, ninguém nunca queria saber de verdade. Resolveu responder sinceramente. Ele ligou pra saber mais. Surpresa maior, ele estava ali, a muitos quilômetros de distância, trazendo pra perto um mínimo de amizade. Ela resumiu muito, objetiva como sempre. Mas desligou outras vezes mais, e a medida que as conversas se prolongavam ela percebeu que- sim! Havia vida ali. Quando se encontraram, não havia agendamentos, aconteceu. Despida dos jogos de conquista, dos entraves que a sociedade cria e as mulheres obedecem, resignadas. Não importava. Ela estava onde queria estar. A salvo de suas considerações e colocações tão práticas. Expôs a verdade. Ele parecia ouvir.

      Dias depois, ela quis repetir, mas não a cama. Queria contar para ele o bem que havia feito, o quanto esteve a deriva de suas emoções antes dele e sim, se ele quisesse, ela estaria lá outras vezes.Contou de seu encontro com cachoeiras, tão particular e secreto e a forma como conseguiu relaxar dos prazos do trabalho, entrar na água, sentir o sol. Queria dividir com ele mais que os fluidos, falar de sua alma, contar estas experiências banais e o quanto isso podia ser divino, afinal. Ele havia passado por ela, ajudado com a mudança. Ela queria que ele se sentisse parte disso. Ficou evidente depois da conversa, que a experiência a ser repetida eram os lençóis, variações, nada além disso. Desligaram.

       Ela se sentiu só. Arrumou o penteado, sentiu os sapatos apertarem um pouco mais. Estava só, não havia novidade, não seria a primeira vez. Mas desta vez, estava sem defesa. Nenhum argumento lhe pareceu necessário. Chorou, desta vez mais alto, forte. Precisava expulsar ele de dentro. Do coração. Dos pensamentos.

Ali, refletida, sua amiga de todas as horas cobrava uma resposta: porque estava submetida a isso? Deixaria o descontrole tomar conta de sua vida que sempre seguiu alheia a existência dele? Enxugou o rosto, as idéias. Sentiu correr o sangue. Ele lhe devolvera as lágrimas. Era o melhor que poderia fazer por ela. Se Finito.

       Tempos depois, refeita, percebeu que estava mais bonita, serena. Encontrou com ele em uma de suas visitas a cidade. Ele não disfarçou a surpresa e tentou marcar um encontro, qualquer dia, qualquer data, pra cerveja ou um café. Agradeceu, com verdade. Seguiu em frente. Sozinha, ao encontro de sua melhor companhia. Ela.

 

 

        

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Por Lora Cirino

 

Eu sou estranha e sou grosseira, antipática de natureza. Desde criança carrego o fardo: ”Ô Lorena, você corta as pessoas”, “Ô Lorena, tudo você critica”, “Ô Lorena, você é grossa”, na hora me dava vontade, como continua me dando de dizer e dizendo: ”Pra começar não é grossa, é grosseira…”.

A verdade é que cresci – não muito é verdade – e continuo assim, ríspida, direta e acreditando que gente de humor ácido vai pro céu e que o Shoe me e o Te dou um dado? são os melhores blogs da internet.

Algumas das minhas amigas, algumas, pois a maioria são assim, malvadinhas que nem eu, (ah, os meninos também), dizendo que isso é feio, que eu tenho que mudar, mas mundo, pare e me escute: eu gosto de ser assim, eu acho muito legal você conseguir criticar as coisas, acho muito legal enxergar várias coisas ao mesmo tempo, acho legalzão demais não gostar de quem eu não acho que preste e assumir isso e acho muito divertido dizer o que penso quando isto merece ser escutado. Pra mim, o nome disso é sinceridade. Não tenho a pretensão de mudar, certo? Obrigada!

 Eu não assisti Tropa de Elite, ainda atentei, mas não consegui, tive preconceito logo de início com as músicas – ou a música, sei lá – com os diálogos que as pessoas INSISTIAM EM TRANSFORMAR EM PIADAS e eu insistia e não mover um único músculo da face quando as escutava. Só não peguei abuso do Wagner Moura porque, né gente? Fazia ele fosse como fosse, delícia.

Não gosto de gente que se acha engraçada, prefiro gente que é engraçada e se acha chata, gente com piadinha pronta, que todo mundo ri amarelo por obrigação de rir… Não sei o que acontece, de repente a minha cara fecha, fecha muito, os músculos se retraem, olho para um lado, para o outro, os olhos reviram, parece uma nova espécie de alergia. Urgh.

Meu estômago dói quando tenho que repetir as coisas, ainda mais no MSN, onde existe uma barra de rolagem para você ler o que eu já escrevi. Ok, esse erro cometo toda hora, mas eu posso 😀

Tenho agonia de coisa que não combina, veja bem, misturar estampas, cores, texturas é lindo, é moderno, é fashion, é atual. Na moda e na propaganda, que são meus dois mundos, isso ta cada vez em mais evidência. No entanto, xadrez cor de rosa e branco com xadrez laranja, roxo e azul, perna cabeluda e sandália grendha, definitivamente não é legal pra cara de quem usa. Eu entendo o espelho como um grande amigo e conselheiro, tem gente que o vê como um grande inimigo, que pena.

O mesmo vale para arte, treze fontes diferentes, com fundo degradê do rosa pro laranja e o produto no meio com uma explosão escrito: “OFERTA”, também não é muito bonito.

Mas com tudo isso, não crie antipatia por quem vos escreve, eu juro que sou legal, de vez em quando…bem de vez em quando.

 

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Por vivi

As aventuras de Luiza num lugar tão tão distante.

 

1. Nota: Não esquecer de anotar no diário que essa historinha de sentir é oportunamente usada por uns, balela mesmo.

Trim, trim… tocou o telefone. Luiza, uma jovem aspirante de jornalismo,trabalhando láááááá onde o coisa ruim perdeu a botina…

Luiza: Alô!

Balela: Oi, …(apelido carinhoso, cujo ela tinha o maior respeito. Diferente do que sentia pelo autor uma hora daquelas). Tás bem?

Luiza (meio sem amor próprio por ter atendido, já que no século 21, existe um grande aliado, chamado BINA): Oi! To bem, sim. Na verdade to muito feliz. Trabalhando horrores, resolvi até ficar por aqui mesmo.. Dois meses. Cuidar apenas da minha vidinha profissional, já que pessoal tá uma mierda. (Indireta daquelas, que só mulheres como Luiza, têm queixo de soltar, sem medo da réplica).

Balela: Égua… (silêncio). Dois meses? Quem te mandou? [?] E eu ? [?]

(Resuminho rápido pra vocês. Balela foi um cara com quem Luiza teve o imenso prazer de ter um triângulo amoroso, durante dois meses. Por razões superiores, ela foi a pessoa com quem ele se divertiu horrores até resolver, que sim, ele ama Karine.

A sorte de Luiza porém, (sorte, nesse caso será bastante relativo) é que nessas alturas, depois de tantas decepções amorosas, ora por culpa deles, ora por culpa dela, Luiza já não conseguia se apegar a ninguém e ao mesmo tempo, conforme ia colecionando as relações mal sucedidas, ia também arrastando em sua doce memória, a lembrança de cada personagem. Por isso, acabava sofrendo menos, uma vez que, quando algum deles a machucava, ela pensava nos outros 5 ex que tinha, não amava, mas não esquecia. Capitche?

Porém, o bichinho não a deixava em paz. Diga-se de passagem, esse era seu diferencial. Não sabia a hora de parar de ligar, de dizer que estava com saudade. Daqueles que terminam a tarde e pedem pra voltar a noite, sabem como é? Com toda certeza foi ele quem inventou o papo de “só a cabecinha”,porque é a cara dele esse jargão).

Voltando:

Luiza, já todo com ego massageado e pouco orgulhoso: Ninguém, sou um ser livre… Pára de graça… são dois meses.

Balela: Mas eu tô com saudade.

Luiza: Vais ficar mais, hahaha.

Depois de 35 minutos nessa punheta telefônica.

Balela diz: Não entendo porque estavas com raiva de mim, antes de viajar.

Luiza: Porque eu sei que estavas comigo e mantendo contato com ela. Sei que vocês se amam, aliás, sempre te falei isso. Mas sinceridade ainda é um princípio. Principalmente quando você recebe isso das pessoas, como foi o meu caso.

Balela: Mas de verdade, Lu. Eu queria mesmo era te dizer que gosto muito de ti, que nunca menti pra ti [?]. Gosto muito de ti. Maas… (silêncio).

Luiza: Sabe o que eu não entendo. O porquê dessa ligação. “Tô com saudade”, “Como eu chego aí no lugar tão tão distante?”, “Voltei com ela”, cadê o objetivo?

Balela: Não sei, só queria te dizer isso. É melhor eu desligar.

Luiza: Ok. Beijo. Tchau!

Tudo que Luiza conseguia pensar uma hora dessa era: EU JOGUEI PEDRA NA CRUZ? Cuspi na cara de Cristo? Sou parente do Pôncio Pilatos?

Porque ela só conseguia ver algumas poucas e alternativas e todas elas muito desagradáveis para esse sujeito.

a) Esquizofrenia, dizem que pessoas com esse mal podem desenvolver várias personalidades.

b) Alucinações, daquelas que aparecem na cara da vítima letras de néon rosa: Venha! Deposite aqui o seu esperma.

c) Lobo em pele de cordeiro.

Seja o que fosse, ela só queria que ele se desprendessem daquele corpo que já não mais o pertencia, não se importava nem se interessava por aqueles sentimentos confusos e sádicos.

Beijo, querido. E por favor, não me liga

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