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Costumo ouvir de “tias” mais experientes (leia-se mais velhas) – sendo essas casadas, separadas, amigadas ou viúvas – que vou acabar no caritó. Nem sabia o que era isso, mas pela força do hábito repetia que estava lá, no tal do caritó. Até o dia em que surgiu o questionamento.

Oh, céus! Será caritó uma comunidade longínqua no sertão árido do Nordeste??? A tal palavra nem estava no dicionário e isso sinalizava que a coisa estava feia pro meu lado. Até que das profundezas do mar sem fim, tive a brilhante idéia (eureca!) de fazer o que sempre faço: jogar no google, meu bem.

Eis que me deparo com este deleite. Um texto datado de 1959, da extinta revista Cruzeiro – publicação a qual eu só ouvi falar – da escritora Rachel de Queiroz. O bacana mesmo de encontrar pérolas como essa é que a gente pode perceber que algumas coisas no mundo não mudam.

Em pleno século XXI, minhas tias continuam achando que estou no caritó porque tenho 25 anos e não casei ou sofrem com a incompreensão de pensar numa “menina tão inteligente e bem educada” que ainda não conseguiu “laçar um bom partido”.

Bem, Rachel, concordo com você. A gente hoje põe o pó na cara não só para ir à janela a procura (ou à espera) de um bom partido. A gente enche a cara de maquiagem porque fica mais bonita ou pelo menos pensa que fica. E porque além desse detalhe que inflama a alma das mulheres com o pecado capital preferido do capitalismo, a vaidade, nossa make up tem vitamina e filtro solar. Tá, meu bem?

Resumindo: ainda vale a máxima de que as meninas boas vão para o céu. E as más, as que têm gingado nas cadeiras e malícia na cabeça, vão para onde quiserem.
Aí vai o texto para quem quiser saber o que a modernosa Rachel de Queiroz tem a dizer sobre o caritó!


“E tira o pó, Vitalina,
Bota o pó, Vitalina,
Môça velha não sai mais do caritó”
(cantiga popular)

Vitalinas

Da Bahia para o Sul, pouca gente saberá o que é vitalina e o que é caritó. Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. Vitalina, conforme a popularizou a cantiga, é a solteirona, a môça-velha que se enfeita – bota pó e tira pó – mas não encontra marido. E assim, a vitalina que ficou no caritó é como quem diz que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.
As cidades grandes já hoje quase desconhecem essa relíquia da civilização cristã, que é a solteirona, a donzela profissional. Porque, se hoje como sempre, continuam a exisitir as mulheres que não casam, elas agora vão para tôda a parte, menos para o caritó. Para as repartições e os escritórios e os balcões de loja, para as bancas de professôra, e até mesmo, Deus que me perdoe, para êsses amôres melancólicos e irregulares com um homem que tem outros compromissos, e que não lhes pode dar senão algumas poucas horas, de espaço a espaço, e assim mesmo fugitivas e escondidas.
De qualquer forma, elas já não se sentem nem são consideradas um refugo, uma excrescência, aquelas a quem ninguém quis e que não têm um lugar seu em parte nenhuma.
Pela província, contudo, é diferente. Na próvíncia os preconceitos ainda são poderosos, ainda mantêm presa a mulher que não tem homem de seu (o “homem de uso”, como se chama às vezes ao marido…) e assim, na província a instituição da titia ainda funciona com bastante esplendor. E o curioso é que raramente são as môças feias, as imprestáveis, as geniosas, que ficam no caritó. Às vezes elas são bonitas e prendadas, e até mesmo arranjadas, com alguma renda ou propriedade, e contudo o alusivo marido não apareceu. Talvez porque elas se revelaram menos agressivas, ou mais ineptas, ou menos ajudadas da família na caçada matrimonial?
* * *
Não sei o que dirá disso a moral tradicional, mas creio que, felizmente, a existência da vitalina, mesmo na província, já anda perto do fim. A instituição da “môça livre” ou da “mulher de carreira”, segundo os modelos da América e da Europa, já tão bem copiada no Rio e em São Paulo, é uma tentação muito grande. Qual a môça que tendo possibilidade de viver do seu emprêgo, no seu próprio apartamento, onde, se lhe falta o aconchego do marido, restam sempre os consolos da liberdade, qual a môça que escolherá viver de favor em casa do irmão, sob a tirania da cunhada?
Será um mal a substituir outro, dirão. Pois bem nenhum sairá dessa nova liberdade. A isso não respondo, que não sei: o que posso dizer é que será, de qualquer jeito, um mal muito menos melancólico.

racheldequeiroz


Para ler na íntegra, acesse: http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/19091959/190959_7.htm

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Por Carol Barata

A inveja é magra e pálida porque morde e não come. Nem sei de quem é essa frase, mas para não perder o fio da meada da vontade de escrever, da vontade de falar de algo, não me darei ao trabalho de procurar no Google. E só para te deixar com mais inveja, é uma delícia sentir-se c0894289694bf42e1f1224e6726614921caaee07_massim como estou agora, com muita vontade de escrever, de viver e continuar assim, incomodando os outros.

Nunca vi tristeza incomodar. Pessoas são capazes de comer grandes e fartos pratos caros, nos restaurantes da moda, tendo como expectador uma criança que não come há alguns dias e ainda sim, serem incapazes de perder a fome ou se sentirem tocados por pouco mais que quinze minutos. Talvez a cesta básica com produtos de 5ª categoria que esse tipo de gente dá aos seus empregados no final de ano os faça ter a sensação de dever cumprido com as desigualdades sociais.

O que machuca e fere os de “alma bem pequena” é a felicidade e a melhor delas, a dos seres que conseguem passear por esse sentimento de forma leve. A meu ver, ser feliz, ser alegre é saber que não há A Felicidade e sim que há é um milhão de momentos, de pessoas, de acontecimentos, de chuvas, de conquistas, de palavras que te causam uma alegria forte, uma alegria tão singular que aquela sensação só pode ser chamada de felicidade.

Zuenir Ventura – jornalista que escreveu o livro (da coleção sobre os sete pecados capitais) “Inveja” – cita que inveja não é querer o que o outro tem. Isso se chamaria cobiça. Inveja é quando a pessoa passa a querer que o outro não tenha aquilo que você não pode ter. Em suma, quem é incapaz de ver o lado bom de cada derrota, de ver um recomeço para cada fim que há na vida se incomoda que você consiga. Esses pobres de espírito jamais passarão de magros e pálidos.

O que (ainda) assusta é que esse povinho é assim por opção. Eles optam por sempre terem comentários maldosos para os famigerados pseudo-bem-sucedidos, optam por apontarem o dedo para os outros e gastam preciosos minutos cultivando rancores desnecessários por terceiros que mal e parcamente conseguem sequer lembrar de sua existência. E sabe por quê? Porque os felizes, os que incomodam, são uns ferrados na verdade.

Isso mesmo! Como já diz o dito popular os coitados e incluo-me nessa lista, são ferrados e mal pagos. Estão cheios de contas a pagar, de problemas a resolver, com crises existenciais, de dilemas amorosos e algumas vezes até com problemas de saúde e continuam ali, vivendo. Preocupando-se com um dia de cada vez, matando um leão por dia e conseguindo colocar a cabeça no travesseiro lindamente.

Juro que tento puxar na memória um só dia que eu tenha desejado algo ou alguém ou alguma coisa a ponto de desejar que mais ninguém possua o meu objeto de desejo. Pode ser que tenha acontecido, pode ser que ainda aconteça até, mas até então, não me vem nada à mente. Talvez seja porque estou deveras preocupada com questões reais (de realidade e de reai$$ também) para alimentar sentimentos pequenos que não passam de frutos das mentes mais ociosas.

Eu sou publicitária, comunicóloga e por conseqüência, não só disso, é claro, falo muuuito. Adoro falar tanto quanto amo conseguir alcançar o tal silêncio, o meu silêncio interno. E aprendi nessa lida diária que quem fala demais, dá bom dia a cavalo. Quem fala demais, acaba fazendo propaganda. E propaganda, meu amor, é coisa séria. Deve ter briefing*, atendimento, brainstorm*, direção de arte*, redator, mídia* e produção envolvidas. Ou seja, propaganda é coisa de gente grande e deve ser paga.

Agora, se você opta por fazer propaganda de graça, se você é adeptA do velho boca a boca, tente pelo menos fazer bem feito. Crie uma fofoca das boas que tenha 10 % de verdade e deixe aquilo correr pela cidade que já é pequena. Envolva mais alguém que endoce suas doenças psicológicas, que goste dessas causas sem por que e dedique-se de corpo e alma a fazer isso dar certo. Mas faça direito, meu amor. Não jogue suas palavras ao vento porque geralmente, o tiro sai pela culatra.

Vai ser difícil ser como eu, mas ao invés de se limitar a tentar me intimidar com comentários maldosos sem sentido por que você não tenta só me superar? Prometo a você que não é difícil, benzinho. Mas comece agora, seja numa benzedeira, num psicólogo ou somente correndo atrás do seu objeto de desejo. Faça isso enquanto eu me ocupo com a vida, com a MINHA vida, ok?

BEIJOS CALOROSOS E ESPECIAIS PARA O (A) MEU (MINHA) FÃ, PORQUE AQUI TAMBÉM VALE A MÁXIMA QUE É SUA INVEJA QUE FAZ A MINHA FAMA.

MUAAAAAAH =o**********

* Joga no Google!

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