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Archive for abril \16\UTC 2007


Por Moara Brasil

Ele apareceu de repente, já fazia um bom tempo que não nos viamos. Entrou pela porta da frente e deu aquele sorriso meio tímido. Contou toda a sua vida, e o que tinha acontecido de novo nesses ultimos tempos. Ele sorria e falava com uma felicidade sem tamanho, mas nunca olhava nos meus olhos. Ofereceu ajuda para os meus planos, e tentou se incluir de qualquer jeito no presente da minha vida.Eu também falei da minha vida, e o que eu estava planejando para ela ultimamente. Ambos queremos a responsabilidade, mesmo sabendo que os dois têm dificuldade em tê-la.

Eu não senti toda aquela aflição e ansiedade que eu sentia quando o via, foi normal e sorri de felicidade por isso. Ligamos para um amigo e saímos todos juntos, fomos ver a banda do Gordo. No bar, conversamos um pouco, e fomos embora. Ele foi pra casa, a minha casa, assim, sem ao menos pedir se podia ficar na madrugada do meu lado…resgatando toda a intimidade de um passado recente. Sentamos no sofá de casa, eu estava com fome e com preguiça de fazer comidinhas. Se fosse a um tempo atrás, com certeza iriamos ao supermercado de madrugada, como era de rotina. Mas o que me esperava era uma geléia de mocotó natural (eca!!). Ele perguntou se eu ia comer aquilo, era a unica coisa que tinha… Mas comi até a metade, e voltei para o sofá ao lado dele. Por um momento pensei que viviamos aquele passado recente, mas de uma maneira diferente.

Estava passando Veludo Azul no SBT, ele como sempre comentou que esses filmes eram muito viajantes para a sua cabeça. “Mas me diz, do que tu gostas?” É, ele não curte muito cinema. E eu me perguntava, o que vi nesse homem?O que ele me atraía?
“Vem cá”, ele disse. Eu fui, e o maldito me beijou, isso não era uma rotina no nosso passado recente,acho que nós nos beijávamos muito pouco.Estranho?É. E é estranho dizer isso, eu confesso. Porém,o bonitinho me beijou e foi encaminhando para as preliminares. Não senti muita coisa, apenas um prazer de levantar um tal ego perdido pelo meu armário bagunçado. Mas a namorada dele ligou, e ele no seu hábito de mentir, mentiu sem piedade para a coitada. Eu sorria, quase que gargalhava. “Já tá assim, nessa gritaria?”. É, ele realmente estava fudido quando chegasse na sua casa, fudido e infeliz. E eu com toda a minha alegria, abracei-a e fui embora para o meu cantinho com direito a um final mais ou menos feliz.

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