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Posts Tagged ‘Aimée’

You´ve got a gift, baby!

Por Aimée.

Cresci ouvindo que cada um dá o que tem e foi assim que para mim, isso sempre me pareceu muito óbvio. Claro que cada um dá só o que tem, não é? E quando a gente quer mais, quer tanto, quer por demais que acaba pensando que a pessoa realmente tem algo a mais para dar e a vê dando um pouquinho de nada do que há em si para gente? Ainda não aprendi a lidar com essa situação. Nem quero.

Tenho o costume de entregar para os outros as verdades, de dá-las de presente em belas caixas finas com laços feitos por aquelas experts em embalagem, de balcão de loja de departamento. Eu remôo com carinho, com todo meu carinho, na minha imensa cabeça de amendoim qual a melhor forma d’eu dizer aquilo, a minha verdade, e pior, de que forma vou entregar de presente a minha verdade que espera a sua verdade.

Decido me adiantar e decido que é hoje, é agora e vou falar de qualquer jeito. Se estiver decidido, está decidido. Minhas verdades não voltam atrás… quer dizer, mais ou menos.

Chego perto tão pesada, mas tão pesada carregando tudo isso de verdades verdadeiras, absolutas em sentimentos puros, profundos, fulgazes e claro, profanos – porque é de carne vermelha e sangue quente e corrente nas veias que sou feita – que repouso no meio dos sorrisos falsos e da falta de assunto.

Meu presentinho foi te ver me tirando uma parte do fardo de carregar as minhas verdades. Tiraste de cima do monte aquela embalagem que embora menor, é a que tem mais efeito no todo de “presentes” que tenho para te dar: o início da conversa, a partir dali dependi de mim. Nem isso conseguiste aliviar.

Fui te dando uma por uma das minhas verdades, sentindo o vento tocar no meu rosto e gelar a minha alma. Eu sentia frio. E me deu vontade de ser aquele vento que também tocava o teu rosto, mas não te gelava. Deixava-te mais seguro, mais forte, inteiro, com olhar penetrante.

São poucas as vezes que falas sem olhar nos olhos, que mexes no cabelo sem que eu saiba que é exatamente aquilo que farás naquele segundo, que teus gestos não combinam com tua palavra e teu pensamento, e que ainda sim, seja tudo tão desconcertado, mas tão desconcertado do que deveria ser, assim como as tuas roupas, teu cabelo, teu palavreado, que é tudo tão desconcertante que combina, que tem unidade.

Só sei que ao tempo recorde de uma carteira de carlton red, uma coca-cola, duas águas e as cervejas que pediste para ti, a gente resolveu o que nem tinha solução. Expliquei-te por A + B que te quero, que já não me basta a insegurança de esperar tua ligação ou que já não quero mais fingir que meu cargo em tua vida é amiguinha.

Pedi-te em outras palavras que não me iludas, que não me deixes iludir, que não me cegues com essa tua unidade, com tua amizade, com as músicas perfeitas de bandas novas que eu já amo desde que ouvi a primeira vez e que estarei limitada a ouvi-las só contigo, só naquele carro.

Eu te dei todas essas minhas verdades ao vivo – e como me recriminaram quando eu disse que o faria assim, ao vivo – porque queria sentir o impacto que elas teriam em ti. Foi bom ver que causou apenas um leve desconcerto, que parecias já saber o que ouvirias o que falarias e o que sentias.

Para alguém que é tão dona das verdades e está acostumada a brincar com elas, como eu, foi como ficar pelada na frente de um bando de estranhos. Foi ver-te destrinchando cada passo que eu tomei, cada palavra que eu escolhi deferir para aquele momento.

Ao final da conversa, ao final do pagamento da conta, ao levantar-se de cadeias e no decorrer do caminho para o carro, para o “tchau, até logo, see you, so long” eu pensava que quando as minhas verdades não são cruéis para mim, não servem. As minhas palavras só me tocam se quem as escutar estiver com um para-raio bem em frente, porque daí elas vão… e vem. Com certeza, vem.

Então, só posso admitir que meus presentes foram feitos para mim. São eles que me trazem para o mundo real, que me dão esse tratamento de choque de te olhar hoje e em tão pouco tempo sentir-te um, sei lá, um meio que justificou o fim, uma curva, um atalho tortuoso, morno. Eu te olhei há alguns dias e assim te senti: morno. Nem frio, nem quente. Morno, assim como vômito. Acho que eu te vomitei de mim.

Aquela conversa nada mais foi que eu colocando o dedo na garganta e deixando a minha diarréia mental de mulher que tem cabeça de amendoim e provavelmente estava na TPM verbalizar tudo na mesma velocidade, intensidade e tempo que eu pensava. E porra, não é que funcionou?

O fora disfarçado de “foi só o momento errado que fez com que não déssemos certo” me rendeu um dia deprê, vários cafezinhos, um choro sem sentido, um porre, mais um choro de porre, um sapato esquecido no carro de um pseudo-amigo que tentava me beijar enquanto eu emitia um dialeto que traduzido seria “mas eu o quero pra miiiiim” e uma manhã seguinte de ressaca. E de muita risada. E de muuuuita liberdade porque te vomitei de mim.

Quem disse que não valia a pena eu embalar tão bem as minhas verdades para dar-te de presente? Primeiro pensei que me darias de volta algo que te sobrava, que era indiferença. Mas agora eu entendi esse quebra-cabeça. Eu sei, eu sei… sofro de LER: de ler-de-za.

Me deste foi esse todo que me faltava durante o tempo que te escolhi para mim, que decidi enrolar um pouco do meu corpo e da minha’lma na tua. Me deste o que me faltava, o que eu não encontrava no meu estoque de sentimentos. Obrigada. Me deste liberdade, baby.

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Cego demais para ver (-me).

Por Aimée.

Sabe o que me irrita mais do que não te ter? Viver com essa sensação de que não devo. É… não devo te ligar, não devo te encontrar, não devo querer saber de ti, não devo saber com quem estás ou o que fizeste. Não, não e não. E todos os deveres são negativos. Odeio me sentir negativa e se tem algo que me irrita mais do que não poder te ter é essa sensação horrível de limitação.

Vem-me uma vontade louca de saber se está tudo bem no teu trabalho ou se aquela avalanche de problemas pelas quais te vi passar melhorou ou piorou. E aí, eu sofro por longuíssimos cinco minutos porque quero ser forte. Ora merda, eu sou forte. Quem disse que não sou?

Ninguém me viu rezar baixinho, apertando os olhos e pedindo para que o teu anjinho da guarda te guarde, te ilumine e te faça sumir dos meus sonhos, dos meus desejos, dos meus anseios. Ninguém sabe. Então, eu sou forte.

Eu que sou bem durona arrisco e pergunto por ti. Mas é só porque eu sou cool, descolada, moderninha e ah, nada demais. Quem ousaria pensar o contrário? Afinal, eu consigo ser impessoal e a gente… quer dizer, você, não passou de um lance, um flerte, um rolo, um cacho… Eu sou durona e só quero saber como estás, se está tudo bem. Enfim, é “só” falta de assunto mesmo.

Aí eles pensam que eu sou eu e boi não lambe. Sou essa descolada que pega e não se apega, que “vivo a vida”, que “curto o momento” ou qualquer outro clichezão desses de escrotona que sou . Ah, se fosse assim….

Mal eles sabem que rezo para o teu anjinho da guarda em silêncio, que guardo na memória o jeito desajeitado do nosso primeiro beijo e que sufoco todo dia essa vontade de saber de ti repetindo o mantra “Vontade dá e passa. Lembre-se: você é descolada, é durona e é cool”.

E aí guardo minhas confissões para o meu travesseiro e acabo contando para ele que putz… eu queria mesmo era arrombar a tua porta e chegar mais perto de ti, te matar de susto e dizer aos gritos que não. E esse seria o último não que eu me permitiria. Eu diria bem alto que nãaao!

Não, eu não sou tão descolada assim, não. Eu tive ciúmes do teu sono quando dormiste antes de mim porque ele me privou de alguns minutos a mais contigo. E não, não gostei quando demoraste para me pegar em casa porque eu fiquei ali, sentindo o tempo se arrastar como se nunca fosse chegar a hora d’eu te ver e meu coração ficou na boca e meu estômago doeu de tanta ansiedade.

Não, não e não. Eu não permito mais que não me ligues, que não te importes, que sumas… porque te quero. Simples assim. Não é justo abafar tudo isso. Não é justo ser tão doce e tão amargo comigo. Não tens autoridade para sequer não saber o que sinto.

Eu tentei engolir aquele choro, mas desceu rasgando na minha garganta e imediatamente, mas imediatamente eu senti o salgado de uma lágrima e agradeci. Não pelo choro, mas por não estares lá naquele momento. Doeu-me ouvir de alguém amigo que agias assim porque não me conhecias de verdade. Doeu só um pouquinho saber que é verdade.

Sigo explorando a mesma química fajuta que usas comigo, mentira amarga e mentira doce. Injeto-me esse veneno que me faz delirar e pensar que em algum momento vais me ver como eu te vejo, vais me enxergar como te enxergo e eu vou poder dizer de verdade, pela primeira e última vez:
– Não. Não solto mais, nunca mais a tua mão… Vem aqui comigo que eu tenho tanta coisa que não sabes para te contar….

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