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É isso mesmo, para quem sempre visita nosso blog, ele migrou para o endereço : http://www.ohvarios.blogspot.com. Agora com mais variedades de textos e mais praticidade.

Apenas calada

Cansei de falar, falar, falar… Já começo a duvidar se realmente falar de tudo o que se sente vale mesmo a pena. Demorei muito tempo pra poder ter a coragem de dizer tudo o que eu acho, penso e sou. Principalmente quando estou com raiva. Era daquelas que ficava caladinha, fazendo bico. A cara feia sempre foi bem interpretada como ódio, mas o motivo, pra tirar de mim, era uma verdadeira ginástica mental.

Cresci ouvindo das pessoas que passavam por essas situações que isso era errado. Era preciso colocar pra fora, resolver o que tiver de ser resolvido, não deixar as coisas mal-resolvidas. E então eu fui exercitando o lado prático da coisa, dando um gelo ali, falando um pouquinho aqui, até que o meu orgulho pudesse ser deixado de lado e eu realmente começasse a falar.

Agora, depois de anos, quando fico puta, eu falo. E falo pra caralho mesmo, boto tudo pra fora. Esculhambo, brigo, digo que estou me sentindo assim e assado. Com o passar dos tempos, adivinha o que eu virei? Chata e cheia de cobranças. Pra quê, cara?! Pra que as coisas pudessem se resolver? Creio que não.

Adoto uma nova postura antiga simplesmente por não ter mais paciência de falar. E me sentir chata. Ou falarem que eu gosto de cobrar dos outros. É muito melhor ficar calada, afastar as coisas e pessoas que te deixam com ódio e fim. Se por acaso quiserem saber o motivo da raiva – que na minha opinião é fácil de descobrir, já que todo mundo sabe o que faz – que se virem! Eu é que não vou ficar além de puta ainda me trocando com os outros.

Mode blasé, on! Fazendo a egípcia.

Eu estava lendo uma daquelas correntes de e-mail, e decidindo se eu repassava ou não essa corrente para outros e mails, com medo da má sorte me atingir, quando ele entrou pela porta daquela kit net e feliz me contou que estava partindo para o exterior. Eu não sabia se eu fazia uma cara de felicidade ou se eu me rasgava em prantos naquele momento, fiquei muda e soltei um “legal” meio introvertido.

Já chorei algumas vezes por alguns amores, e vi que ele seria mais um que eu ía me acabar em lágrimas. Desde então passei um mês de luto, chorando na frente dele, chorando sem ele ver, não era legal. Mas minha cabeça doía, então eu precisava chorar para parar a enxaqueca.

Certa época da nossa vida a gente não quer mais sofrer, não quer mais transformar o amor em algo voluvel…já procuramos um pouco da estabilidade amorosa. Então foi quase um choque a confirmação de que ele ficaria uns meses longe de mim, apesar de saber que esse dia chegaria. Chorei, e muito. Chorei porque eu já passei por isso uma vez, e sempre tenho medo do final dessas histórias de encontros e desencontros. Parece que o último sempre é o pior. Chorei porque já tinha me acostumado com o cheiro dele, a noite cozinhando com ele, dormindo e sonhando ao lado daquele homem.

As lágrimas descem porque eu não quero a distância, me tornei alguém que se apega a quem é maravilhoso. Porque eu já quero uma companhia, um companheiro. CAnsei de tentativas de relacionamentos, já quero algo duradouro…já quero que pelo menos isso na minha vida se estabilize.

Ele me disse que cada um tem que ir atrás dos seus sonhos, conheci alguém igual a mim nesse ponto…dessa vez eu fiquei, e o outro que se foi. Ele realizando os sonhos profissionais dele no outro lado do mundo, e eu tentando por aqui. Não vai ser nada fácil, e ninguém disse que seria…é por isso que ainda choro.

 

 

Desvairada

 

São Paulo, 15 de novembro de 2009

 

Todos os dias acordo para a jornada de trabalho de Sampa. Tomo o café da manhã apressado, pego o ônibus depois de uma caminhada de 10 minutos até chegar no terminal. Às vezes agradeço  à Deus por ainda ter um trabalho que me dê grana para viver essa vida paulistana, que não é nada barato.

Às vezes fico me questionando…por que estou nesse trabalho? Que atrofia meu cérebro a cada tentativa de vender desesperadamente, para ter um salário não tão justo quanto este trabalho cansativo mereça.

Eu sei que vim para cá com um objetivo, mas o caminho que leva até lá não é fácil, é preciso muita força na peruca….muita.

Descobri que sou bipolar no meu trabalho. Às vezes sou uma grande profissional, às vezes quero chutar o balde e viro uma medíocre.

Acontece que eu não nasci para isso, e sim para outras funções.

A minha vida começou a perder um pouco do sabor na semana que se passou. Pelo menos depois de trabalhar ainda havia a graça de comer morangos…

Talvez seja verdade que eu reclame de mais de boca cheia…mas não sei, eu não me contento com pouca coisa. É isso que ninguem consegue entender…minha ansia por querer realizar as coisas já! Mas preciso da paciência, maldita paciência que mata quem tem pressa.

Por Selene RIlke

Hoje, aqui sentada na minha cama, ao lado de quatro pessoas dormindo no mesmo quarto que eu percebo que realmente se nada der certo aqui nessa SELVA DE PEDRA pelo menos ando aprendendo muitas coisas curiosas.

Descobri que sou uma chorona, ainda mais quando estou com tensão pré-menstrual. De repente começo a chorar que nem uma louca. Uma bipolar. Mudo de opinião fácil, quero desistir de tudo..,acho o mundo uma falta de vergonha tão grande para eu tolerar. Porém, tudo passa. E começo a sorrir de novo quando o namorado pede um beijo e um cafuné.

Descobri que eu sou tão chata e cara de cu com cãimbra quanto a minha querida mãe. Tudo o que eu odiava nela eu reproduzo em carne e osso aqui em São Paulo. Não tenho paciência com as pessoas pequenas. Não tenho paciência com nada, praticamente,  nem com ninguém. Tornei-me a figura da senhora baixinha e chata, que responde curta e grossa “Não enche!”, fazendo uma cara de reprovação para tudo. Cansei!

São Paulo me deixou um pouco mais caseira (por mais incrível que pareça!). Talvez seja a falta de grana, mas isso não é desculpa. Afinal, aqui tem muita coisa boa de graça. Uma delas é ouvir chorinho no Sesc em plena Avenida Paulista, avistando lá de cima todos os enormes prédios. Ou assistir Cordel do Fogo Encantado em Anhangabaú. Ou morar do lado da Augusta e com vários gays e gente da moda, sempre rola uns Vips para tudo.

A grande merda é que arrumei um namorado que mora na mesma república que eu, ou seja, minha vida agora é acordar ao lado dele, dormir ao lado dele sair também com ele. Nesse friozinho a preguiça aumenta mais ainda, é desculpa para eu não sair algumas vezes. Mas sempre rola uma saídinha, nem que seja só para andar pelos bares pé sujos da Augusta, que sempre tem uma boa música. 

Descobri que até sou organizada. Morar longe dos pais nos faz cobrar de nós mesmos uma organização para as coisas fluírem melhor.  Faço minhas compras com uma calculadora na mão, economizo sempre.  Descobri que algumas marcas baratas são melhores pro bolso do que as caras, e acaba sendo tudo a mesma sensação.

Se antes eu já cozinhava, aqui eu cozinho mais. E talvez até melhor, qualquer coisa posso abrir um restaurante por aqui mesmo com sabores exóticos da Amazônia…os paulistanos estão adorando todo o segredo dos meus temperos  (muito alho queridos!).

É, entre lágrimas e gargalhadas, a gente vai levando e se acostumando, nem tudo é tão difícil quanto parece.

flores5

Sai Satanás!!

Por Moara Brasil

Histórias de Sampa 2, escrito em Março de 2009

Eu moro numa República aqui em São Paulo, bem perto do Paraíso da Avenida Paulista. Para quem não sabe…República é o mesmo que uma tentativa de convivência com pessoas de todas as espécies e cabelos, de raças e credos, de malucas a sonsas, em que cada um tem que repartir da mesma cozinha, geladeira, banheiro e correr o risco de seu Iogurte ser roubado da geladeira, ou seus temperos sumirem misteriosamente.

Aqui é normal ter alguns “barracos”, alguns egos não se bicam. Então acontecem sempre brigas por causa de fofocas e de pessoas cleptomaníacas, porque some tudo aqui… é incrivel.

Afinal, conviver com pessoas diferentes não é nada fácil. Ainda mais com culturas diferentes, sotaques variados, gente de tudo que é canto do Brasil e do mundo. Tem menina de Salvador, tem russa, carioca, tem alemão e alemã, paulista, crentes e viados. Que trabalham com tudo, a maioria é free la, são modelos e outros trabalham em shoppings…uns são produtores de moda, outros cabeleireiros. Acredito que devem ter profissionais do sexo por aqui também.

Logo quando cheguei neste lugar, senti uma energia um tanto pesada, estranha. Mas é porque muita gente já morou neste recinto.

O mais interessante de morar aqui é que a gente aprende a ser tolerante…mas existe algo curioso nessa Republica. Sempre vem uma “irmã” crente orar pelas pessoas desse lugar, a dona Selma (que administra aqui) acredita que só assim pode espantar os males desse abrigo.

A primeira vez que eu ouvi a tal da irmã foi num pesadelo. Sonhava que ela dizia “sai coisa ruim!Sai Satanás que pertuba essa casa! Vai embora! Deixe essas pessoas em paz!”  . Então eu acordei,  e vi que não era um pesadelo…era realidade, a irmã estava ali orando na frente da porta do meu quarto, na cozinha, para uma das pessoas da casa, que devia estar com o espírito carregado.

Eu tinha que trabalhar naquela hora, e fiquei meio assustada de ter que abrir a porta e dar de cara com paulistas crentes e fervorosos. Fiquei com medo e tive que encara-la nesse dia. Fui ao banheiro e chamei a atenção da irmã, ela sorriu para mim e orou alto para que toda a inveja se afastasse de mim…eu nem consegui olhar para a dita cuja, fui correndo para o banheiro, morrendo de medo.

Outro dia não teve jeito..não tive escapatória. A irmã estava de novo orando alto e gritando pela casa, pediram para que eu fosse conversar com ela. Eu disse que estava atrasada para o trabalho, que teria cinco minutos, eu não queria ter que passar por isso. Sabe Deus o que essa mulher podia falar para mim, ou confirmar que o demônio estava no meu pé, atrapalhando meu caminho….

Mas pensei, que mal me fará? Uma pessoa que quer o bem, não? Então fui lá, a mulher fez a oração, ficou falando que eu era abençoada. Perguntou de onde eu era, e confirmou que devia ser do Norte mesmo, com esses traços indígenas. Ela ainda repetiu que eu ia fazer uma viagem em breve, outra viagem irmã? Já não basta essa?

Morar em República tem seus pontos positivos, aprendemos a ser tolerantes e conhecemos muitas coisas boas, mas olha… eu não quero ser acordada de novo por um “Sai Satanás!”, que dessa vez quem vai sair sou eu…São Paulo e qualquer canto do mundo tem dessas coisas. A globo está perdendo tudo isso…

Mudanças

“Eu não escrevo aquilo que quero, eu escrevo aquilo que sou”. (C. Lispector)

Mesmo não sabendo direito quem sou só consigo escrever o que sai de mim como aquele berro explosivo de quem está perdendo as estribeiras. Ando pensando bastante em como costumo mudar perto dos outros. Pra cada pessoa costumo ter um tipo de reação, é como se eu conseguisse me moldar conforme a moldura. Estranho.

Sou diferente a cada tipo de relação, independente do tipo. Posso ser a pessoa mais chata e mais legal do mundo ao mesmo tempo. Não sou muito de reclamar, mas perto de alguns viro uma verdadeira máquina de piti. E, sério, não acho que a culpa seja totalmente minha, não. Acredito que as pessoas se tratam como devem se tratar e que é impossível existir um comportamento igual para todos. No máximo, colocamos no automático e nos comportamos de maneira padrão, e talvez isso seja a nossa essência ou o teatro que já estamos cansados de encenar. Não sei.

Tenho medo de quem realmente eu possa ser. Minto. Na verdade eu tenho medo do que as pessoas possam me tornar. Algumas me tiram do sério e me deixam fazer coisas que nunca imaginei ser capaz.

Encontro defeitos que em décadas nunca pensei em ter. Será que são defeitos mesmo? Até que ponto precisamos nos moldar pelos outros? Até que ponto não é melhor esquecer toda aquela psicologia de que é conversando que nos entendemos e dizer que eu não vou mudar e ponto. Não me incomodo de ser assim, não faço mal a ninguém, porque deveria mudar então?

Não sei até que ponto estou sendo completamente ignorante ou flexível demais com a opinião dos outros. Isso me faz pensar, irritar, confundir. Na verdade, a grande pergunta é pra quê? Pra satisfazer a vontade dos outros, evitar certos atritos quando nem se sabe se é concordável esse tal grande defeito?

Termino com o que comecei. A própria C. Lispector conseguiu concluir meus pensamentos.

“Quando a gente começa a se perguntar: para quê? então as coisas não vão bem. E eu estou me perguntando para quê. Mas bem sei que é apenas ‘por enquanto’.”

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