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Archive for the ‘Gina’ Category

Pra mim, basta um dia.

Tudo bem. Tenho consciência que nem conhecemos. Que nunca ouvi da tua boca mais de duas dúzias de palavras. Não do modo convencional da coisa, estar um de frente pro outro, conversar, ver a maneira que tu te gesticulas, tuas gírias, risada, trejeitos durante um diálogo. Não, não tenho nada disso. Mas uma coisa eu tenho e é bem maior do que isso. Uma vontade desconcertante de te ter. Desde o momento que bati os olhos em ti. Aquela coisa patética, platônica e utópica. Olhar pra todos ao redor e não conseguir a soma que só de olhar pra ti, eu conseguira.

Se vivêssemos em um momento de pouca facilidade à informação, talvez essa sede de te ter não demorasse mais de algumas horas. O problema é que não funciona mais assim. E ter me interessado por ti, ultrapassou o limite de um flerte ou algo do tipo. Mergulhei de cabeça e tentei descobrir o máximo que podia. E curiosamente, quanto mais descobria, mais tinha certeza do quanto te queria pra mim.

Não, não desse jeito esteriotipado e convencional. Poderia ser do jeito que quiséssemos que fosse. Sem padrões, rótulos, limites, nada. Te queria. E muito. O que fazer se nem sabes quem eu sou? Como te convencer de que não seria favor nenhum da tua parte? Como te explicar que se tiveres a chance de saber o que eu sou, a recíproca será perfeitamente igual? Como conseguir dissertar o que eu senti, quando te vi expressando todas as tuas emoções possíveis? Que entre gritos irracionais ao meu redor, eu estava bem ali, dividindo contigo, a tua dor, paixão e tudo mais que coubesse naquele momento?

Não consegui até agora, achar uma maneira de dizer isso pra ti. Só me cabe esperar e tentar encontrar uma forma de fazer isso acontecer. Enquanto isso, me sustento com migalhas que são incompreendidas por outrem. E eu nem me importo com isso, só o que eu queria era uma maneira de te tocar. Não só o toque físico, o que eu obviamente, também imagino de várias maneiras. Porém, agora me refiro ao toque abstrato. Dividir contigo as minhas loucuras, que não são poucas e as tuas, que pelo pouco que posso dizer, já percebi que também são diversas.

Apesar de parecer uma coisa de adolescente, um dia, vou te contar como tudo começou, o que eu fiz por conta e até mesmo esse texto. Nem que seja durante um dia. Quero conhecer o que há de mais íntimo, louco, forte, dócil. Posso ter que atravessar meio país pra isso. E por um único dia.

Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

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…Aí começo a lembrar de ti. Basta eu ter qualquer tipo de crise dessas pós-modernidade, dessas que oscilam entre depressão, tpm, crise existencial, bipolaridade, tanto faz. O que eu quero mesmo é um pretexto pra lembrar de ti. Quando encontro um, puxo todos os gigabytes de memória, passo a mão num cigarro e pego um licor. Lembra do meu favorito? Licor de amaretto, que você insistia em dizer que parece com algum adstringente bucal. Ligo o som. Melhor que isso, escuto um vinil. Vale ouvir aquele disco da Elis que sempre ouvíamos, fazendo uma massa. Qual é mesmo a sua favorita? Acho que é raviolli. Tanto faz. Essa parte da lembrança fica distorcida. Já que era na hora de cozinhar que nós mais liberávamos a nossa louca libido na cozinha. Lembra quando a gente deixou queimar um spaghetti ao pesto, por que esquecemos dele no fogo? Lembro da nossa gargalhada. Nus e com fome. Saciamos outra que pra nós sempre foi mais importante. Gargalhadas… não consigo ter nenhuma gargalhada sem lembrar de ti. Você dizia que minha gargalhada oscilava entre uma psicótica e uma menina do interior. Nunca entendi essa tua metáfora. Eu sempre fui tão boa em entender meus amores, mas você?! Tem horas que acho que ninguém no mundo te lê como eu. Eu te leio. Uma leitura daquelas a lá Hilda Hilst ou Florbela Espanca. Um misto de dor, sexualidade, desequilíbrio, sei não. Paixão desvairada. Falta de ar. Sal de lágrima e suor. Acabou o cigarro. Termino aqui. “Existem mais mundos. Ou altos ou fundos. Entre eu e você”

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Égua! Uma noite dessas eu resolvi que queria escrever (novamente) sobre nós dois. Sei lá, uma maneira de tentar desabafar através da escrita tudo que eu queria dizer pra ti. E também uma tentativa quase que desesperadora de tentar entender tudo isso.

Deus, como um cara de “insights” e cheio de humor irônico, pensou:”Queres desabafar com o word, minha filha? Vou fazer melhor!” E me colocou de cara contigo,só pra ver onde chegava.

Como nós dois já imaginávamos, chegou longe demais. A minha ficha em relação a nós dois, ainda não caiu. Que porra é essa? Por que uma relação tão curta pode ser tão intensa? Quando seremos apenas um ex do outro? Digo assim, beleza! Frio na barriga, amigas avisando que você tá por perto, mas precisa a gente não ter mais olhos pra nada? Precisava sermos essa obviedade toda pra quem tiver por perto, que tudo isso ainda está muito vivo? Que necessidade é essa de sempre querer se ver, saber de nossas vidas, vivendo tudo ao máximo possível, extrapolando sempre os limites?

O computador ficou pra escanteio, “vou falar é pra ti”. E falei. Falei tudo. Rasguei o véu, te perguntei, me declarei. Eu confesso que tinham alguns meses que eu ensaiava isso. Não achava que ia chegar ao ponto que chegou, mas de verdade, foi um alívio pra mim.

Eu acho que um dos motivos de eu não conseguir romper tudo isso é porque sempre há um “feed back”. Nós sabemos de toda a reciprocidade que existente nesse caso. Por exemplo, a noite de ontem. Toda a festa, nossos conhecidos, não só da época que estivemos juntos mas, amigos pessoais de cada um olhavam pra gente e sacavam tudo, foram cúmplices de um encontro que nem nós mesmo conseguimos disfarçar o efeito que teve. Foi incontrolável. Excesso de saudade. Excesso de ausência. Excesso de vontade de ficar muito mais grudado do que já estávamos. E obviamente depois de tantas cervejas as palavras saem ainda mais destemidas. Vale ressaltar que de cerveja nós entendemos muito bem. Logo, o que acontece? Muitas verdades foram ditas.

Lindo demais saber de tudo aquilo que me falastes. Muito importante saber que eu não tô nadando contra a maré sozinha. Sabemos sim, que não estamos juntos, não sabemos o que vem amanhã . Sabemos também que intensidade nada tem a ver com duração. Tanto é que pessoas muito importantes estavam lá ao nosso redor e nem por isso elas enfeitaram nosso ambiente mais de cinco minutos. Eras tu e era eu. E isso por si só, já significa muita coisa. E claro, a nossa bela sacanagem, nossa intimidade escancarada, a falta de vergonha que um tem pelo outro. Dos apelidos, as frases de duplo sentido, a disputa quase implícita de quem tem mais poder, a eterna mania de não querer parar, mesmo quando uma hora depois já tem que estar acordada pra trabalhar, um tesão que só pára quando nos tocamos do contexto em que vivemos. Com muito, muito carinho.

Acho que até exagerei nas afirmações, mas o que isso importa pra nós? Que sempre fomos feitos de intensidade e autenticidade? Falei por que, por mais exagerado que seja, naquele dia era o que eu achava. Posso até reconhecer em algum momento que houve exagero. Mas naquele dia, não!

Muito importante te conhecer assim tão bem. Assim como é muito gostoso me reconhecer nas tuas afirmações.

Mesmo reconhecendo e botando muito valor em tudo isso, hoje me afasto de ti. Me afasto porque não posso te ter. Isso é cruel demais. O que acaba me deixando até boba, infantil, esperando de ti ações que nem me cabem mais esperar. Mas pelo simples fato de te querer pra mim, mesmo que não seja como já foi antes e não ter, dói demais.

Pena que não tenha sido contigo. Pois até dos teus defeitos mais insuportáveis sinto falta. Te queria desse jeito que tu és. Assim literal, com tudo o que te compõe. Pena não ter sido comigo. Pois sei que ia ser tão verdadeiro e intenso como foi naquele tempo. E sei o quanto me admiras pelo que sou, até mesmo meus vícios que mais ninguém aguenta.

Talvez o tempo tenha sido errado conosco. Talvez viver mais nos fizesse sentir mais dor um dia. Talvez a nossa hora ainda não tenha chegado. Deixo todas essas dúvidas no ar. E guardo esse amor num baú esquecido lá pelo porão. O mesmo baú que espero logo mais guardar esse acervo de lembranças. Te guardo carinhosamente dentro de mim. Desejando o amor e a felicidade. E deixando que a minha vida se encaminhe sem tudo que mais quero de ti. Esperando que as cores voltem logo aos meus dias sem  tonalidades, cores pastéis, friasjazz_spal. Sem tu e tudo que longe de ti eu já não mais possuo.

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