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Posts Tagged ‘acordo ortográfico’

Eu desafio qualquer receita barata antidepressão e meu mau humor. Não quero torná-los parte integrante do meu ser.  Desafio o que é imposto, o que é seguro o que é tido como bom, o supostamente Pré- estabelecido (por quem?). Desafio a rima, mesmo rimando em descompasso. Desafio a distância por ela ser tão grande quando quero afago e ínfima quando a suplico.foto3

Desafio você a me desafiar sem conseguir irritar-se. Tenho teimosia à flor da pele e nervos de açúcar ou de qualquer outra coisa que dê para “trocadilhar” com nervos de aço. Desafio a língua portuguesa, o acordo ortográfico – “abrupta” ou “ab-rupta” mudança? Ainda haverei sempre de parir neologismos bem ou mal criados.

Desafio essa vida que eu levo que não é inteiramente minha. Quero desafiar o medo que há em mim de ir além, de achar que certas coisas não me pertencem. Todas elas me pertencem. Todas podem me pertencer. Mas sem esse papo positivista – pós – modernista – motivacional de “querer é poder”. Não é. Isso eu sei. Mas eu quero muito e quero tanto, tanto.

Vou sair daqui, dessa cadeira, da sala fechada, para saber só de olhar pro céu se é dia ou noite. Vou esquecer o relógio e os meus dogmas. Não quero ser escrava. Quero ser ama do desejo, da vontade sublime de viver, de ondas do mar, sal de praia colando na pele.

Quero sentir teu sabor, misturado com tequila e chiclete de canela. Quero ficar com teu cheiro na palma da mão e ficar cheirando de pouquinho em pouquinho, assim, abafando as duas mãos, como se teu cheiro fosse só meu. Como se eu pudesse guardá-lo numa caixinha e levá-lo na bolsa pra onde quer que eu fosse. E assim, desafio a lógica de só querer o que é possível.

Fico derretendo meus neurônios e descobri que tenho vocação para isso: para derretê-los com textos que não saem até que eu esprema a última gota de enxaqueca, analgésicos, jornais, revistas e anuários. E eis que se dá uma avalanche de letras corroídas, palavras ulceradas e até enferrujadas por tanto uso. Que se dane o que já foi feito, pensado, falado e esperado. Quero mais é o estrago do desconhecido, o que está por vir.

Quero perder menos tempos em telas e ganhas mais em páginas. Quero lembrar que os Correios existem e esquecer do Gmail. Quero mais mentiras sinceras e menos raspas e restos. Não quero mais me contentar com restos.

Vou falar atrevidamente, mostrar interesse só para o que me interessa e pendurar na porta de casa uma placa com os seguintes dizeres: “EU NÃO ME IMPORTO”.  Seja lá o que quer que você tenha para me dizer, pense antes. Porque eu simplesmente, não me importo mais.

Vou usar menos salto alto e mais saia – sejam curtas, rodadas, pregueadas ou retas. O papo mesmo é pernas de fora, pra ver se inspiramos a vida a ficar de pernas pro ar. Minhas unhas serão carmim, meus óculos vermelhos e assim eu sairei do sótão em mim onde guardo meus pesares, meus maus presságios. Inovarei meu novo mundo à cor de sangue.

“Tudo novo de novo”.

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